O Conto da Princesa Kaguya - Animes Online BR https://animesonlinebr.org viage com a gente no Animes Online BR Sun, 21 Mar 2021 10:05:10 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 https://mundodosanimes.com/wp-content/uploads/2022/08/cropped-14c6bcf3-be6c-4046-ae51-74e8880e70ba-scaled-1-32x32.jpeg O Conto da Princesa Kaguya - Animes Online BR https://animesonlinebr.org 32 32 O Conto da Princesa Kaguya: Analisando a animação de Isao Takahata https://animesonlinebr.org/anime/o-conto-da-princesa-kaguya-analisando-a-animacao-de-isao-takahata/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=o-conto-da-princesa-kaguya-analisando-a-animacao-de-isao-takahata https://animesonlinebr.org/anime/o-conto-da-princesa-kaguya-analisando-a-animacao-de-isao-takahata/#respond Sun, 21 Mar 2021 14:00:19 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=16620 Cofundador do Studio Ghibli, Isao Takahata dirigiu vários filmes, e entre eles, o último de sua carreira, O Conto da Princesa Kaguya é

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Cofundador do Studio Ghibli, Isao Takahata dirigiu vários filmes, e entre eles, o último de sua carreira, O Conto da Princesa Kaguya é um filme em que sua história é baseada em um conto japonês. Além de uma narrativa muito interessante, podemos analisar alguns pontos de sua animação. 

Isao Takahata, junto com Hayao Miyazaki e Toshio Suzuki, fundaram o Studio Ghibli no ano de 1985. A ideia deste novo estúdio era produzir animações de alta qualidade, cuidadosamente desenhadas e com enredos bons. Tudo isto no tempo desejado, com um tempo maior de produção, diferente de produções de animações seriadas, em que eles trabalharam anos anteriores. 

Assim, com a proposta inicial do Studio Ghibli, Isao Takahata, além de produzir obras com roteiros muito bem feitos, ele também conseguiu deixar um marco no Studio Ghibli e na animação japonesa, trazendo autenticidade em suas animações. Portanto, vamos analisar como essa autenticidade conseguiu ser transmitida no filme do O Conto da Princesa Kaguya.

Enredo de “O Conto da Princesa Kaguya”

O Conto da Princesa Kaguya,  ou seu nome em japonês, Kaguya-hime no Monogatari, filme de 2013, é adaptado do conto japonês “O Cortador de Bambus”. A protagonista Kaguya é encontrada dentro de um brilhante talo de bambu. Passa-se o tempo e ela se transforma em uma bela jovem que é cobiçada por 5 nobres, dentre eles, o próprio Imperador. Kaguya, não querendo nenhum deles, acaba enviando seus pretendentes em tarefas aparentemente impossíveis de serem realizadas. Assim, Kaguya terá que enfrentar seu destino e punição por suas escolhas. 

Com este roteiro, O Conto da Princesa Kaguya trabalha com pontos complexos de uma tradição de um povo que não conhecia os absurdos dos tempos modernos, como também o silenciamento das vozes femininas. Além disso, é mostrado no filme o amadurecimento e crescimento da personagem Kaguya. O Conto da Princesa Kaguya chegou a ser indicada à categoria de Melhor Animação da premiação do Oscar no ano de 2015.

Análise da animação

O Studio Ghibli é conhecido pelo detalhamento de sua animação, ou seja, em seus filmes, a busca de detalhes de movimentos e expressões dos personagens para compor uma cena é um dos pontos cruciais dos filmes de Takahata, e também do diretor Hayao Miyazaki. Já Takahata, sempre deixou claro que tentava buscar uma autenticidade na composição das ações de seus personagens, e isso fica claro no mini documentário Looking for Reality de 2014. No documentário, é mostrado que Takahata queria que os espectadores absorvessem os detalhes da animação, onde os movimentos detalhistas dos personagens nos façam lembrar e sentir em como as ações são verossímeis.

Podemos dizer que Takahata, enquanto estava no Studio Ghibli, conseguiu trabalhar com vários estilos de animação. Falando brevemente de outros filmes do diretor , em Memórias de Ontem (1991), para criar as expressões dos personagens, Takahata quis capturar a performance dos dubladores e modelar os personagens sobre isso, sendo diferencial do que animações comuns, em que a animação é feita antes da dublagem. Já em Meus Vizinhos os Yamadas (1999), contamos com uma animação feita digitalmente, com base em uma paleta de cores de pintura de aquarela. 

Em “O Conto da Princesa Kaguya”

Especificamente em O Conto da Princesa Kaguya, temos dois pontos na animação que merecem destaque: A autenticidade da ações dos personagens, a marca de Isao Takahata e do Studio Ghibli, mas também em como a animação poderia expor os sentimentos internos da protagonista Kaguya

Falando da autenticidade, acompanhamos praticamente a vida de Kaguya. Desde que ela apareceu no caule de bambu, vivendo na pequena casa dos seus pais e depois sua rotina após enfrentar os conflitos de ter que escolher um dos 5 nobres para casar. Falando da parte inicial, o interessante é acompanhar como Takahata trabalha detalhadamente em mostrar cada momento da protagonista. Seja um momento mais descontraído, como Kaguya engatinhando, brincando com os sapos, imitando os animais… Ou um momento que faça mais parte da narrativa.   

Uma das cenas que mais chama atenção sobre a autenticidade é quando Kaguya e o personagem Sutemaru estão comendo um melão. É mostrado os personagens cortando a fruta, pegando um pedaço e mastigando. Isso tudo com certa autenticidade em como nós cortamos e comemos a fruta. No documentário Looking for Reality, é mostrado como Takahata buscou animar a cena, pedindo para um dos animadores da equipe para cortar a fruta e come-lá, em frente de toda a equipe, para mostrar detalhadamente como a animação precisava ser composta. 

Podemos fazer uma comparação entre essa cena de Kaguya com a cena do filme O Túmulo dos Vagalumes, de 1988, também dirigido por Isao Takahata. No filme, Seita corta uma melancia para Setsuko. Mas diferente de Kaguya, a cena em O Túmulo dos Vagalumes não ficou verossímil, Seita corta a fruta de um jeito diferente, de um jeito que nós não estamos acostumados a cortar na vida real. Insatisfeito em como essa cena foi animada, Takahata procurou estudar melhor cada movimento, seja o movimento mais simples  ou complexo possível para compor a cena. A cena do corte da fruta se repete em Memórias de Ontem, quando a família acaba cortando um abacaxi, de um jeito mais fiel.  

O “lado emocional” da animação

Quando Kaguya cresce, e começa a vivenciar os conflitos internos no filme, a proposta de Takahata então é demonstrar os sentimentos que a protagonista está sentindo, como revolta, insatisfação e insegurança. Isso tudo na composição da animação. Para demonstrar esse sentimento de revolta na animação, os detalhes do quadro ficam diferentes, tendo um traço mais grosso e bagunçado fazendo o espectador sentir a desordem que Kaguya sente. 

Uma cena que podemos citar que mostra essa mudança de animação é quando Kaguya sai correndo após ouvir uma conversa em que os homens estão discutindo sobre ela. Ela sai correndo, esbarrando em tudo, até correr em um campo mais aberto. Nesse momento, as emoções de Kaguya estão no ápice, sendo refletidas totalmente na animação, parecendo que o animador não tem mais controle sobre a animação. E o mais interessante é que, mesmo que a animação acabe mudando, ainda temos a sensação de realismo e autenticidade, mas dessa vez, focado em mostrar o que Kaguya sente.  

O encanto nas obras de Isao Takahata

Isao Takahata conseguiu trazer um grande marco no mundo da animação. O Studio Ghibli consegue se diferenciar de outros estúdios, já que o mesmo conseguiu propor mais tempo de produção de seus filmes, conseguindo elaborar roteiros interessantes e animações mais fiéis. Assim, Takahata conseguiu estudar os movimentos e produzir animações com produções diferentes mas com um único propósito: trazer autenticidade em suas animações. 

Takahata conseguiu também se destacar com seus enredos leves e singelos, que retrata o cotidiano de seus personagens da forma mais realista possível. Com esses dois pontos, o enredo e a animação, Takahata trouxe aos fãs de animação japonesa um diferencial, onde seu falecimento em 2018 foi uma grande perda para a indústria de animação. 

Para uma análise mais completa sobre a animação em outros filmes de Isao Takahata do Studio Ghibli, indico o texto que produzi no site Chimichangas sobre o diretor. E para uma análise em geral, indico o texto de Amanda Dultra aqui no site do NSV Mundo Geek.

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Memórias de Ontem: a criança interna que nós carregamos https://animesonlinebr.org/curiosidades/memorias-de-ontem-a-crianca-interna-que-nos-carregamos/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=memorias-de-ontem-a-crianca-interna-que-nos-carregamos https://animesonlinebr.org/curiosidades/memorias-de-ontem-a-crianca-interna-que-nos-carregamos/#respond Thu, 13 Feb 2020 12:52:44 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=6339 Após sete semanas abordando extensivamente um seriado longevo estadunidense, uma mudança de ares parecia bem-vinda. Aproveitando a nova seleção de filmes do Estúdio

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Após sete semanas abordando extensivamente um seriado longevo estadunidense, uma mudança de ares parecia bem-vinda. Aproveitando a nova seleção de filmes do Estúdio Ghibli na Netflix, escolhi um que eu nada sabia a respeito: Memórias de Ontem (no original “Omohide Poro Poro). Lançado em 1991, é o segundo filme assinado pelo Isao Takahata para o estúdio. A obra acompanha a viagem ao interior da Taeko Okajima (Miki Imai), conforme suas lembranças da infância invadem seus pensamentos no presente.

Diferentemente da maioria dos filmes do Ghibli, conhecidos por serem trabalhos de Fantasia – como A Viagem de Chihiro ou Meu Vizinho Totoro (ambos dirigidos e roteirizados pelo Hayao Miyazaki), Memórias de Ontem tem uma temática mais centrada na realidade concreta. Sua protagonista é uma mulher adulta de 27 anos, natural de Tóquio, rememorando seus 10 anos e suas preocupações da época: ciúmes, chiliques, e até menstruação. Para um país machista que obriga as funcionárias usarem salto alto como norma de etiqueta até hoje, esse tipo de narrativa em 1991 parece completamente revolucionária.

Baseando-se no mangá homônimo, um quadrinho semi-anedotal com histórias sem muita ligação entre si, Takahata consegue extrair situações verossímeis as quais desenvolvem a configuração mental da Taeko. Como essa criança cheia de manias tornou-se a mulher esforçada que anseia por trabalhar no campo e celebrar o trabalho à mão? Quais atributos da sua personalidade infantil vêm à tona no seu comportamento já adulto? De maneira não-linear, as pistas vão surgindo a partir das memórias e da reflexão da protagonista em cima delas. Apesar da Taeko não demonstrar facilmente sua vulnerabilidade, é notável como ainda carrega consigo a sua versão de 10 anos, teimosa e insegura.

No campo, a protagonista consegue explorar emoções que pareciam perdidas pela infância, desabrochar de verdade (se me permitem esse trocadilho) expondo um contraste fascinante entre o rural e o urbano. Inclusive, essa comparação parece ser uma temática que se permeia por toda a obra do autor, explorando dessa maneira seus sentimentos quanto à defesa do Meio Ambiente. Em entrevista ao portal Wired, Takahata disse o seguinte quanto ao uso desse tema em suas obras (em especial O Conto da Princesa Kaguya, tópico principal da matéria)

“É claro, a temática ambiental foi deliberada. Eu expressei isso como um tema latente em outros trabalhos também. Eu concordo genuinamente com a letra de What a Wonderful World cantada por Louis Armstrong. A vida no Japão era ao ritmo da natureza até a era moderna. Um sistema sustentável estava em vigor de maneira que as pessoas obtinham os frutos da natureza enquanto fosse permitida a sobrevivência da natureza de uma forma viável. Toda vida na Terra é cíclica – nascer, crescer, morrer, e reviver – assim como as canções que eu escrevi [para O Conto da Princesa Kaguya]. Eu considero essa a base de tudo. É por isso que eu exploro esse tema de novo e de novo.”

Isao Takahata. Crédito: Martin Holtkamp.

Com um cenário rico e visualmente interessante, a narrativa é elaborada com uma sensibilidade ímpar. Como mulher, admito que foi impressionante a execução de uma personagem mulher rodeada por questões femininas com tamanha profundidade e sinceridade. O passado, representado em cenários mais apagados, invadindo o vívido presente fez-me refletir como a minha versão infantil aparece ainda hoje, vários anos após eu me tornar adulta.

Abraçando o passado e o presente, o rural e o urbano, Takahata cria um espetáculo quieto, introspectivo, e delicado que encanta décadas após o seu lançamento. Certamente um clássico para revisitar quando sentir falta da sua criança interior.

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O Conto da Princesa Kaguya https://animesonlinebr.org/anime/o-conto-da-princesa-kaguya/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=o-conto-da-princesa-kaguya https://animesonlinebr.org/anime/o-conto-da-princesa-kaguya/#respond Thu, 19 Sep 2019 14:52:03 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=4302 O Estúdio Ghibli por si só já dispensa quaisquer introduções: seus fenomenais longa-metragens animados encantam multidões há décadas e o seu nome nos

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O Estúdio Ghibli por si só já dispensa quaisquer introduções: seus fenomenais longa-metragens animados encantam multidões há décadas e o seu nome nos créditos já serve como indicativo de um produto de qualidade. A primeira vez que tive algum contato com alguma de suas produções, eu tinha cinco anos e via no cinema “A Viagem de Chihiro”. Fiquei completamente maravilhada com a história sensível e os traços elegantes e, ainda que não compreendesse tudo, eu associei para sempre na memória o nome Ghibli à ideia de excelência.

Com essas essas expectativas em mente, eu assisti O Conto da Princesa Kaguya (2013) em 2015, pouco depois do resultado das premiações do Oscar. Havia ficado indignada com a vitória de Operação Big Hero visto que eu tinha enormes esperanças para essa produção japonesa. Depois de assistir, no entanto, minha indignação se tornou uma fúria com a tamanha injustiça aplicada pela academia estadunidense: o filme era, afinal de contas, estonteante.

Kaguya-hime no Monogatari (“O Conto da Princesa Kaguya”) é a adaptação da lenda japonesa Taketori Monogatari (“O Conto do Cortador de Bambu”), uma das histórias mais antigas da tradição oral nipônica. É narrado como um senhor idoso em um dado dia, praticando seu ofício, encontra um bebê dentro de um bambu e cria essa criança vinda dos céus com a sua esposa. Eventualmente, ele também encontra ouro e presentes no interior dos bambus – o que ele prontamente utiliza para investir na sua filha.

Princesa Kaguya em sua primeira infância. Créditos: Estúdio Ghibli

Ao contrário das outras obras do estúdio, Kaguya-hime assume um estilo de animação diferente, trocando os famosos traços um pouco cartunescos e extremamente detalhados por algo mais próximo à tradição do país do Sol Nascente. Suas linhas então dessa vez adquirem uma aparência mais simples, simulando rascunhos de giz, criando significado a partir de um conto de fadas japonês, porém sem perder sua aura etérea na composição delicada das cenas.

A narrativa expande de maneira magistral os personagens da lenda: eles têm desejos e objetivos claros. Mais do que artifícios para uma moral, eles existem, vibram, respiram na película ao longo de duas hora e dezessete minutos. Seus intérpretes fazem um trabalho estupendo com suas vozes, trazendo vida a cada uma das figuras que aparecia em cena. Em especial, Aki Asakura foi brilhante na pele da personagem titular, demonstrando um ótimo alcance emocional, capaz de mostrar grande alegria como também profunda tristeza.

Isao Takahata, falecido em 2018, dirigiu as cenas com uma sensibilidade singular e bastante propósito. Diferentemente do seu colega e co-fundador do Estúdio Ghibli, Hayao Miyazaki, ele não era animador, o que torna a sua realização ainda mais fascinante. Em sua entrevista para Film4, ele disse: “Eu realmente não desenho, não sou artista, mas eu faço alguns rascunhos para a equipe seguir. Além disso, eu entendo que tipo de imagem se encaixaria melhor, e que tipo de pose os personagens assumem, o ritmo da atuação, e as expressões dos personagens. E dessa maneira eu participo grandemente em qualquer projeto. Pode ser um pouco presunçoso da minha parte, mas eu sei o que quero e como obter, então eu tenho que dirigir para mostrar ao pessoal como chegar lá”.

Isao Takahata. Crédito: Shizuo Kambayashi

O Conto da Princesa Kaguya comove sem precisar apelar para recursos exagerados, construindo de maneira competente uma história sutil sobre como é preciosa a nossa breve existência e como essa deve ser aproveitada. A Princesa, em sua estadia na terra, amou, conheceu lugares, e aprendeu sobre a condição humana.

Com lágrimas em meus olhos, despedi-me de seus personagens sabendo que havia encontrado algo especial. Mais uma vez o Estúdio Ghibli havia acertado.

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