Isao Takahata - Animes Online BR https://animesonlinebr.org viage com a gente no Animes Online BR Mon, 07 Feb 2022 13:08:37 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 https://mundodosanimes.com/wp-content/uploads/2022/08/cropped-14c6bcf3-be6c-4046-ae51-74e8880e70ba-scaled-1-32x32.jpeg Isao Takahata - Animes Online BR https://animesonlinebr.org 32 32 As Memórias de Marnie: Além da Imaginação https://animesonlinebr.org/sem-categoria/as-memorias-de-marnie-alem-da-imaginacao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=as-memorias-de-marnie-alem-da-imaginacao https://animesonlinebr.org/sem-categoria/as-memorias-de-marnie-alem-da-imaginacao/#respond Wed, 09 Feb 2022 21:00:09 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=30183 Não tem com negar que o Studio Ghibli consegue criar animações incríveis, emocionantes que mobilizam os sentimentos de forma única e arrebatadora. Além

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Não tem com negar que o Studio Ghibli consegue criar animações incríveis, emocionantes que mobilizam os sentimentos de forma única e arrebatadora. Além dos sucessos como A Viagem de Chihiro (Sen to Chihiro no Kamikakushi) ou O Castelo Animado (Hauru no Ugoku Shiro), As Memórias de Marnie (Omoide no Marnie) é um convite a refletir sobre como lidar com questões familiares, amizades e culpa.

SOBRE O FILME

Filme inspirado no livro de 1967 da britânica Joan G. Robinson, conta a trajetória do encontro entre Anna e Marnie. Enquanto Anna é uma garota introvertida com forte complexo de inferioridade, se muda temporariamente para o interior por recomendações médicas e se torna amiga de Marnie, uma garota alegre, radiante e que por trás dos cabelos loiros existe um grande mistério que envolve sua amizade.

As Memórias de Marnie foi dirigido por Hiromasa Yonebayashi, antes Isao Takahata e Hayao Miyazaki declararem aposentadoria sendo indicado ao Oscar de Melhor Animação em 2016.

AS PROTAGONISTAS

Lidar com questão sobre autoaceitação é um tema discutido com frequência atualmente, ainda mais quando o cenário induziu, querendo ou não, o aumento relativo de sentimentos gerado pela ansiedade, por exemplo. No caso estamos falando de uma animação de 2014, ou seja, temas como esse estão muito longe de serem encerrados, muito pelo contrário. Anna, a querida protagonista, sofre de asma e a solução foi uma vigem ao interior onde teve mais contato com a natureza e, por que não, conhecer pessoas novas e estabelecer novas amizades.

Acontece que Anna se acha completamente incapaz de aproximar de qualquer pessoa, pois em toda ocasião acreditar ser um fardo. Quando muito jovem, perdeu seus pais em um acidente de carro e não demorou muito para sua avó também falecer. Sem parentes próximos, Anna foi adotada por sua tia Yoriko onde morem em Sapporo, porém o sentimento de culpa se agravou quando descobre que eles recebem ajuda financeira do governo, fazendo acreditar que ela teria apenas aceitado a adoção pelo dinheiro. Por causa dos problemas de socialização, Anna expressa todos os sentimentos com ajuda do lápis e borracha transformando-as em belos desenhos.

Marnie é extremo oposto de Anna. Feliz, contente, mas nem tudo são flores. Marnie se sente tão solitária quando sua amiga. Por mais que tivesse todos os brinquedos do mundo, nada iria suprir a falta que sentia dos pais que viviam em longas viagens e por fim era cuidada por empregados abusivos. Infelizmente a criança foi negligenciada pelos pais.

ALÉM DA IMAGINAÇÃO

Logo quando Ana chegou à casa dos parentes, enxergou uma ótima oportunidade e inspiração para seus desenhos e logo se encanta com a “Casa do Pântano” e o mistério ao seu redor. Motivada pela curiosidade, todas as noites vai até a casa até conhecer Marnie, mesma garota que vê em seus sonhos. A conexão das duas foi instantânea e intensa. É de se estranhar como Anna se sentiu tão confortável com a presença de uma completa desconhecida.

Sua união faz ponte entre o real e o imaginário, o passado e o presente, além da cumplicidade mútua pela história de vida semelhante. O longa traz alternativas sobre como enfrentar esse tipo de situação. Marnie, por exemplo, teve todos os motivos para se culpar, mas ela encara a solidão de forma confiante, esperançosa que tudo poderia mudar num passe de mágica. Sem contar com a visão otimista de se aproveitar ao máximo todos os instantes da vida. Já Anna se resguardou em seus desenhos e não se permitia amadurecer vínculos com as crianças da mesma idade.

O encontro foi a quebrada de barreiras necessária para ambas evoluírem emocionalmente principalmente em relação a Anna. Isso se torna visível com a mudança de feição da personagem cada vez que o nome Marnie era citado. De tão surreal, Anna acreditou que tudo era fruto da sua imaginação que Marnie, na verdade, era a versão imaginária do que gostaria de ser. No fim das contas, Marnie precisava do seu perdão, pois é sua avó falecida que sentia culpada por ter “abandonado” após a morte dos seus pais e Anna precisa se libertar da culpa de achar que era um peso morto. Graças as lembranças de sua avó, foi possível entender suas raízes e se livrar desse sentimento de uma vez por todas. Resumindo, uma amizade além da imaginação.

Marnie

 

Por fim, a animação é lindíssima, um show de belas fotografias e não canso de rever. Confesso que O Castelo Animado ainda é meu preferido deles. Enfim, incrível.

Disponível na Netflix

 

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O Conto da Princesa Kaguya: Analisando a animação de Isao Takahata https://animesonlinebr.org/anime/o-conto-da-princesa-kaguya-analisando-a-animacao-de-isao-takahata/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=o-conto-da-princesa-kaguya-analisando-a-animacao-de-isao-takahata https://animesonlinebr.org/anime/o-conto-da-princesa-kaguya-analisando-a-animacao-de-isao-takahata/#respond Sun, 21 Mar 2021 14:00:19 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=16620 Cofundador do Studio Ghibli, Isao Takahata dirigiu vários filmes, e entre eles, o último de sua carreira, O Conto da Princesa Kaguya é

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Cofundador do Studio Ghibli, Isao Takahata dirigiu vários filmes, e entre eles, o último de sua carreira, O Conto da Princesa Kaguya é um filme em que sua história é baseada em um conto japonês. Além de uma narrativa muito interessante, podemos analisar alguns pontos de sua animação. 

Isao Takahata, junto com Hayao Miyazaki e Toshio Suzuki, fundaram o Studio Ghibli no ano de 1985. A ideia deste novo estúdio era produzir animações de alta qualidade, cuidadosamente desenhadas e com enredos bons. Tudo isto no tempo desejado, com um tempo maior de produção, diferente de produções de animações seriadas, em que eles trabalharam anos anteriores. 

Assim, com a proposta inicial do Studio Ghibli, Isao Takahata, além de produzir obras com roteiros muito bem feitos, ele também conseguiu deixar um marco no Studio Ghibli e na animação japonesa, trazendo autenticidade em suas animações. Portanto, vamos analisar como essa autenticidade conseguiu ser transmitida no filme do O Conto da Princesa Kaguya.

Enredo de “O Conto da Princesa Kaguya”

O Conto da Princesa Kaguya,  ou seu nome em japonês, Kaguya-hime no Monogatari, filme de 2013, é adaptado do conto japonês “O Cortador de Bambus”. A protagonista Kaguya é encontrada dentro de um brilhante talo de bambu. Passa-se o tempo e ela se transforma em uma bela jovem que é cobiçada por 5 nobres, dentre eles, o próprio Imperador. Kaguya, não querendo nenhum deles, acaba enviando seus pretendentes em tarefas aparentemente impossíveis de serem realizadas. Assim, Kaguya terá que enfrentar seu destino e punição por suas escolhas. 

Com este roteiro, O Conto da Princesa Kaguya trabalha com pontos complexos de uma tradição de um povo que não conhecia os absurdos dos tempos modernos, como também o silenciamento das vozes femininas. Além disso, é mostrado no filme o amadurecimento e crescimento da personagem Kaguya. O Conto da Princesa Kaguya chegou a ser indicada à categoria de Melhor Animação da premiação do Oscar no ano de 2015.

Análise da animação

O Studio Ghibli é conhecido pelo detalhamento de sua animação, ou seja, em seus filmes, a busca de detalhes de movimentos e expressões dos personagens para compor uma cena é um dos pontos cruciais dos filmes de Takahata, e também do diretor Hayao Miyazaki. Já Takahata, sempre deixou claro que tentava buscar uma autenticidade na composição das ações de seus personagens, e isso fica claro no mini documentário Looking for Reality de 2014. No documentário, é mostrado que Takahata queria que os espectadores absorvessem os detalhes da animação, onde os movimentos detalhistas dos personagens nos façam lembrar e sentir em como as ações são verossímeis.

Podemos dizer que Takahata, enquanto estava no Studio Ghibli, conseguiu trabalhar com vários estilos de animação. Falando brevemente de outros filmes do diretor , em Memórias de Ontem (1991), para criar as expressões dos personagens, Takahata quis capturar a performance dos dubladores e modelar os personagens sobre isso, sendo diferencial do que animações comuns, em que a animação é feita antes da dublagem. Já em Meus Vizinhos os Yamadas (1999), contamos com uma animação feita digitalmente, com base em uma paleta de cores de pintura de aquarela. 

Em “O Conto da Princesa Kaguya”

Especificamente em O Conto da Princesa Kaguya, temos dois pontos na animação que merecem destaque: A autenticidade da ações dos personagens, a marca de Isao Takahata e do Studio Ghibli, mas também em como a animação poderia expor os sentimentos internos da protagonista Kaguya

Falando da autenticidade, acompanhamos praticamente a vida de Kaguya. Desde que ela apareceu no caule de bambu, vivendo na pequena casa dos seus pais e depois sua rotina após enfrentar os conflitos de ter que escolher um dos 5 nobres para casar. Falando da parte inicial, o interessante é acompanhar como Takahata trabalha detalhadamente em mostrar cada momento da protagonista. Seja um momento mais descontraído, como Kaguya engatinhando, brincando com os sapos, imitando os animais… Ou um momento que faça mais parte da narrativa.   

Uma das cenas que mais chama atenção sobre a autenticidade é quando Kaguya e o personagem Sutemaru estão comendo um melão. É mostrado os personagens cortando a fruta, pegando um pedaço e mastigando. Isso tudo com certa autenticidade em como nós cortamos e comemos a fruta. No documentário Looking for Reality, é mostrado como Takahata buscou animar a cena, pedindo para um dos animadores da equipe para cortar a fruta e come-lá, em frente de toda a equipe, para mostrar detalhadamente como a animação precisava ser composta. 

Podemos fazer uma comparação entre essa cena de Kaguya com a cena do filme O Túmulo dos Vagalumes, de 1988, também dirigido por Isao Takahata. No filme, Seita corta uma melancia para Setsuko. Mas diferente de Kaguya, a cena em O Túmulo dos Vagalumes não ficou verossímil, Seita corta a fruta de um jeito diferente, de um jeito que nós não estamos acostumados a cortar na vida real. Insatisfeito em como essa cena foi animada, Takahata procurou estudar melhor cada movimento, seja o movimento mais simples  ou complexo possível para compor a cena. A cena do corte da fruta se repete em Memórias de Ontem, quando a família acaba cortando um abacaxi, de um jeito mais fiel.  

O “lado emocional” da animação

Quando Kaguya cresce, e começa a vivenciar os conflitos internos no filme, a proposta de Takahata então é demonstrar os sentimentos que a protagonista está sentindo, como revolta, insatisfação e insegurança. Isso tudo na composição da animação. Para demonstrar esse sentimento de revolta na animação, os detalhes do quadro ficam diferentes, tendo um traço mais grosso e bagunçado fazendo o espectador sentir a desordem que Kaguya sente. 

Uma cena que podemos citar que mostra essa mudança de animação é quando Kaguya sai correndo após ouvir uma conversa em que os homens estão discutindo sobre ela. Ela sai correndo, esbarrando em tudo, até correr em um campo mais aberto. Nesse momento, as emoções de Kaguya estão no ápice, sendo refletidas totalmente na animação, parecendo que o animador não tem mais controle sobre a animação. E o mais interessante é que, mesmo que a animação acabe mudando, ainda temos a sensação de realismo e autenticidade, mas dessa vez, focado em mostrar o que Kaguya sente.  

O encanto nas obras de Isao Takahata

Isao Takahata conseguiu trazer um grande marco no mundo da animação. O Studio Ghibli consegue se diferenciar de outros estúdios, já que o mesmo conseguiu propor mais tempo de produção de seus filmes, conseguindo elaborar roteiros interessantes e animações mais fiéis. Assim, Takahata conseguiu estudar os movimentos e produzir animações com produções diferentes mas com um único propósito: trazer autenticidade em suas animações. 

Takahata conseguiu também se destacar com seus enredos leves e singelos, que retrata o cotidiano de seus personagens da forma mais realista possível. Com esses dois pontos, o enredo e a animação, Takahata trouxe aos fãs de animação japonesa um diferencial, onde seu falecimento em 2018 foi uma grande perda para a indústria de animação. 

Para uma análise mais completa sobre a animação em outros filmes de Isao Takahata do Studio Ghibli, indico o texto que produzi no site Chimichangas sobre o diretor. E para uma análise em geral, indico o texto de Amanda Dultra aqui no site do NSV Mundo Geek.

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Meus Vizinhos, Os Yamadas: Comédias da Vida Privada https://animesonlinebr.org/anime/meus-vizinhos-os-yamadas-comedias-da-vida-privada/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=meus-vizinhos-os-yamadas-comedias-da-vida-privada https://animesonlinebr.org/anime/meus-vizinhos-os-yamadas-comedias-da-vida-privada/#respond Thu, 17 Sep 2020 15:01:58 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=13255 Eu acho que posso falar com segurança que o termo “família” é difícil de descrever objetivamente. Eu tentei outrora, mas não é justo

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Eu acho que posso falar com segurança que o termo “família” é difícil de descrever objetivamente. Eu tentei outrora, mas não é justo enquadrar essa palavra de maneira tão crua. Todos nós viemos de algum lugar, construímos nossos espaços, e estabelecemos vínculos com um grupo seleto de pessoas – independente de compartilharmos sangue com elas. Família pode ser seus pais, tios, primos, e você. Pode ser você e seu parceiro. Pode ser você e seus bichinhos. Só você mesmo pode definir esses limites.

Dito isso, toda família ainda assim se parece. Apesar das extremas diferenças entre lares, papéis se repetem, e uma idealização universal desses personagens perpassa culturas. É por essa razão que, apesar das distinções geográficas, podemos nos identificar com núcleos parentais da ficção. Irmão do Jorel? Coco? Gravity Falls? Todas são obras as quais nos cativam com suas narrativas familiares e situações altamente relacionáveis. Penso eu, inclusive, que esse é o charme de Meus Vizinhos, Os Yamadas.

No original Hōhokekyo Tonari no Yamada-kun, o filme de 1999 explora o cotidiano da família títular, os Yamadas. Afetuosos, caóticos, e conflituosos os parentes têm suas crônicas exploradas ao longo dos seus 103 minutos de duração. Com o excelente Isao Takahata na direção, a obra é adaptação das tirinhas homônimas do quadrinista Hisaichi Ishii, publicadas ainda hoje (porém sob o título “Nono-chan).

Meus Vizinhos, Os Yamadas destaca-se dos outros longa-metragens do Estúdio Ghibli por seu formato antológico. Ao invés de optar por uma narrativa tradicional, Takahata aproveitou-se da estrutura breve das tirinhas para destrinchar situações cômicas, apenas unidas entre si através dos seus personagens. Em um momento seguimos a filha caçula Nonoko na escola, em outro podemos ver os adultos Matsuko (mãe), Takashi (pai), e Shige (avó) discutindo qualquer coisa besta, para então vivenciarmos os esforços do primogênito Noboru nos deveres de casa. São momentos simples, contudo atravessados de personalidade vibrante.

Entretanto, mais do que meramente aproveitar a composição das histórias dos quadrinhos, essa obra optou por fazer uso dos traços despretensiosos próprios do material de origem – algo que a evidencia ainda mais marcadamente das outras produções Ghibli. Ademais, essa escolha estilística acentua as intenções cômicas ao acompanhar as peculiaridades dos Yamadas. Com seus cenários pouco detalhados e elenco estilizado, podemos também nos encaixar mais fácil nas narrativas, ver as nossas próprias idiossincrasias refletidas nas excentricidades dos personagens.

Ainda assim, Meus Vizinhos, Os Yamadas oferece mais do que humor à sua audiência. Seu encanto repousa, acima de tudo, no amor sincero e devoção entre os familiares. Sim, eles são imperfeitos e não param jamais de brigar, todavia – à sua maneira torta e individual – eles se encaixam. Essa dimensão é especialmente evidenciada pela declaração diretorial do Takahata:

“Eu não ambiciono criar uma ‘fantasia’ ao representar uma realidade extremamente detalhada que cerceia pessoas em outro mundo. Acima disso, eu quero que as pessoas se identifiquem nas experiências dessa vida ao rascunhar qualidades ordinárias humanas com simples adereços. Eu quero que o vento flua livremente entre a dimensão do nosso cotidiano e aquilo que vemos no filme.”

Meus Vizinhos, Os Yamadas é uma obra diferente do cânone “Ghiblíco” porém tão amável ao seu jeito. Uma família que, haja o que houver, permanecerá unida. Que sera sera.

 Você pode assistir a Meus Vizinhos, Os Yamadas no serviço de streaming da Netflix.

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Akage no Anne: Anime inspirado no livro “Anne de Green Gables” https://animesonlinebr.org/anime/akage-no-anne-anime-inspirado-no-livro-anne-de-green-gables/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=akage-no-anne-anime-inspirado-no-livro-anne-de-green-gables https://animesonlinebr.org/anime/akage-no-anne-anime-inspirado-no-livro-anne-de-green-gables/#respond Fri, 07 Aug 2020 19:05:14 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=11220 A vida nunca foi fácil para Anne Shirley, mas mesmo assim ela nunca desistiu de ser heroína de sua própria história. Nas várias

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A vida nunca foi fácil para Anne Shirley, mas mesmo assim ela nunca desistiu de ser heroína de sua própria história. Nas várias adaptações da história do livro Anne de Green Gables temos Anne demonstrada como uma garota determinada a mudar todos ao seu redor. Logo, na adaptação para animação japonesa que essa obra ganhou, conhecida como Akage no Anne, temos também uma história singela sobre a garota de cabelos ruivos.

Akage no Anne (tradução: Anne dos Cabelos Ruivos), lançado no ano de 1979, foi adaptado da obra da escritora canadense Lucy Maud Montgonmery. O anime foi produzido pelo estúdio Nippon Animation, como parte do projeto World Masterpiece Theater, conjunto de animes baseados em histórias de livros clássicos. Quem dirigiu o anime foi Isao Takahata e, vale ressaltar que, Hayao Miyazaki ficou encarregado nas produções dos cenários e layouts de cena. Os dois são os co-fundadores do Studio Ghibli, criado em 1985. 

O anime conta com 50 episódios e a animação chegou a ser dublada para uma versão de português de Portugal. O estúdio mais tarde fez uma versão da história de Anne, que se passava antes da garota ser adotada e ir para Avonlea. Esta versão se chama Konnichiwa Anne: Before Green Gables, conta com 39 episódios e foi lançado em 2009.

A história do anime se passa no Canadá, na Ilha do Príncipe Eduardo no final do século XIX. Acompanhamos Anne, uma pequena órfã que é sonhadora, corajosa e alegre. Ela acaba sendo adotada pelo casal de irmãos Marília e Matthew Cuthbert. Entretanto os dois queriam adotar um garoto para ajudar na fazenda da família. Apesar da confusão, Marília e Matthew decidem ficar com Anne

O impacto singelo de Anne em “Akage no Anne”

Contextualizando, a história se passa em 1876, época da Segunda Revolução Industrial. Enquanto o mundo corria para descobrir e testemunhar as maravilhas da eletricidade, na Ilha do Príncipe Eduardo, a vida parece seguir um curso totalmente diferente. Os personagens seguem uma vida rural em Avonlea, cidade que se passa a história de Anne.

Para quem tem um pouco de familiaridade com a obra, sabe que a protagonista Anne se destaca pela sua personalidade. Além se ser alegre e sonhadora, é curiosa e gosta bastante de ler livros. Tanto sua grande imaginação, como a leitura, são um escape para a garota para conseguir se manter sempre animada. Portanto, o amor pela literatura e pelo imaginário molda a personalidade radiante de Anne. Esse é um dos pontos fortes da animação, vemos uma personagem profunda, bem construída, ou seja, bastante humana.

Anne consegue inspirar outros personagens da história, como o próprio Matthew que é um personagem introvertido, mas aos poucos se vê pronto para se aventurar em uma aventura diferente do que ele está acostumado. Marília também é outra personagem que é inspirada por Anne, onde a mesma começa aos poucos a perceber que nem todas as mulheres necessariamente precisam ser donas de casa e que as garotas também podem escolher o futuro que elas querem trilhar. 

Outra personagem que devemos destacar é Diana, a garota que torna-se a melhor amiga de Anne. Diana também tem a questão muito forte sobre a questão de mulheres poderem escolher o que querem fazer no futuro, já que os pais dela trilharam todo o futuro da garota, mesmo que ela não concordasse com as escolhas. Então a amizade com Anne faz com que a personagem reflita essa questão, além da amizade inspiradora entre as duas, por sua sinceridade. 

Logo, com passar do tempo, acompanhamos o desenvolvimento de Anne, não só de tamanho, mas um crescimento interno. Anne vai se tornando mais independente e responsável. Ela aos poucos vai sendo respeitada, não só pelos personagens de seu ciclo social, mas também pelos outros alunos de onde estuda e pelas pessoas mais velhas de Avonlea. Anne, ainda sonhadora, agora ela vai priorizar suas ambições e objetivos de vida. 

Adaptações de “Anne de Green Gables” 

Além do anime de 1979, a história de Lucy Maud Montgonmery ganhou várias adaptações, desde filmes, tanto para cinema e para a televisão, como também séries de televisão. Porém o que foi mais impactante é a adaptação da Netflix junto com o canal canadense CBC, Anne With an E. Aqui a protagonista, interpretada pela atriz Amybeth McNulty, também demonstra as fortes peculiaridades da personagem Anne. A série também chega a debater temas muito importantes como gênero, sexualidade, racismo e conservadorismo. 

Sobre a diferença entre a série Anne with an E e a versão animada Akage no Anne, podemos citar primeiramente o tom que a série leva. Em Anne with an E, a narrativa tem um tom mais pesado para a apresentação do passado de Anne, reforçando o passado complicado que a garota passou, perdendo seus pais e sofrendo abusos da família adotiva e bullying das garotas do orfanato. A série tenta demonstrar esse tema com várias cenas, com um tom mais sombrio, para mostrar como isso impactou negativamente a vida de Anne. No entanto,, mesmo passando por momentos difíceis, a protagonista nunca deixou de ser autêntica às suas emoções e pensamentos. 

A série também tem outra grande diferença do anime e também dos livros. Moira Walley-Becket, a criadora da adaptação da série de 2017, apresenta novos personagens para a trama e, dessa forma, cria novos conflitos. Na segunda temporada da série, somos apresentados ao personagem Sebastian (Bash) e a Mary, que Gilbert os conhece após sair de Avonlea ao viajar logo após a morte de seu pai. Os dois se casam e tem uma filha chamada Delphine. Outro núcleo original da série é de Ka’kwet que Anne conhece na terceira temporada. E também o personagem Cole, amigo de Anne, que se assume homossexual na trama. Moira consegue trazer personagens cativantes, que precisam sobreviver  a momentos difíceis, típicos daquela época.  

Sobre Akage no Anne, podemos fazer uma comparação da animação com alguns filmes do Studio Ghibli. Takahata, o diretor, consegue nos trazer a história de uma grande protagonista, com uma narrativa que impacta muitos que assistem, assim como as protagonistas dos filmes da Ghibli. São garotas independentes, que lutam com resiliência para superar e sobreviver momentos difíceis, não cedendo à pressão, independentemente da situação. 

Dessa forma, Anne acaba inspirando os espectadores, principalmente o público feminino. A personagem estimula as garotas serem esperançosas, independentes e corajosas. A priorizarem seus estudos para trilhar seu futuro, pois as garotas podem tudo. 

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Pom Poko: quando a natureza revida https://animesonlinebr.org/anime/pom-poko-quando-a-natureza-revida/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=pom-poko-quando-a-natureza-revida https://animesonlinebr.org/anime/pom-poko-quando-a-natureza-revida/#respond Thu, 28 May 2020 17:39:38 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=8539 O Meio Ambiente é uma questão sensível para ser trabalhada. Nós, seres humanos, ao longo de nossa História de manipulação de recursos do

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O Meio Ambiente é uma questão sensível para ser trabalhada. Nós, seres humanos, ao longo de nossa História de manipulação de recursos do planeta Terra, causamos transformações que são ao mesmo tempo engenhosas e belas tanto como assustadoras e destrutivas: andamos por todos os continentes, atingimos as estrelas, poluímos nossas águas, e também extinguimos espécies. Os efeitos negativos, infelizmente, vêm se acumulando cada vez mais, gerando desastres que atingem tanto os humanos como os outros seres vivos dos ecossistemas – dando a sensação de que a natureza está lutando contra nós. E se essa impressão fosse verdadeira, e se o meio ambiente brigasse de volta pelo espaço perdido? Pom Poko – A Grande Batalha dos Guaxinins oferece umas respostas a esse cenário.

Atenção: o texto contém spoilers

Não é de hoje que eu elogio as obras do finado Isao Takahata. Cativante em sua sensibilidade de trazer à tela narrativas cheias de nuance e sem respostas exatas, em Pom Poko ele foca na dualidade natureza versus humanidade como tema central. Lançado em 1994, o longa-metragem de quase duas horas aborda os esforços de uma comunidade de tanukis (cão-guaxinim ou cão-mapache em Português) em evitar que humanos destruam sua floresta por razões de construção civil. O filme explora o sentimento de perda, pertença, e a perseverança de animais antropomorfizados para manter o seu lar.

Não gostaria ter de bater na mesma tecla que aqui explorei, no entanto é impossível afastar a dimensão ambiental das obras do Takahata, especialmente em Pom Poko – a obra que torna central essa temática. Assim como há a dualidade entre paisagens urbanas e campestres em Memórias de Ontem, e sobrenatural contra o ordinário no Conto da Princesa Kaguya, Pom Poko mescla esses conflitos de uma forma intimamente japonesa, trazendo uma ótica oriental à discussão ambiental no audiovisual.

O Japão é um exemplo único no seu tratamento dessas oposições temáticas. Conhecida por abraçar fortemente suas tradições e também por amar robôs gigantes, a Terra do Sol Nascente é um cenário muito vívido e complexo para ser explorado. Em Pom Poko, os protagonistas tanukis se agarram aos seus costumes como uma forma de transmitir sua liberdade e essência, entretanto os humanos que os antagonizam não são vistos puramente como uma força destruidora e cruel: somente opositora. Nós também precisamos ter moradias, afinal de contas. O filme busca portanto um equilíbrio de princípios.

Após tanto lutar para manter seu lar, infelizmente os tanukis perdem. Seguindo a história real, os animais tiveram seu hábitat destruído pelo progresso, e seu espaço substituído por complexos habitacionais, obrigando os sobreviventes a se adaptar à paisagem urbana – comendo restos e com vidas curtas, mudar-se para o interior, ou usar seus poderes de transformação para viver como humanos. Uma tragédia sóbria para um filme tão marcado por visuais adoráveis e coloridos.

A esperança, contudo, revela seu brilho ao final: depois de perderem tudo, os tanukis ainda têm uns aos outros, e juntos podem ainda celebrar sua cultura. Enquanto ainda existirem deles, é possível manter o sonho.

Takahata foi muito fortuito ao reconhecer a necessidade da harmonia entre progresso e tradição: é necessário manter um convívio saudável para uma existência plena. A animação com ares juvenis própria do Estúdio Ghibli foi muito certeira com sua crítica ambiental, inclusive virando-se para a audiência e pedindo “Faça a sua parte”. Hoje, em meio a uma crise sanitária no meio de uma crise ambiental ainda maior, Pom Poko torna-se ainda mais relevante quando pensamos em sua mensagem de companheirismo e equilíbrio. O que mais podemos fazer senão buscar a harmonia?

Pom Poko está disponível no serviço de streaming da Netflix.

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Memórias de Ontem: a criança interna que nós carregamos https://animesonlinebr.org/curiosidades/memorias-de-ontem-a-crianca-interna-que-nos-carregamos/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=memorias-de-ontem-a-crianca-interna-que-nos-carregamos https://animesonlinebr.org/curiosidades/memorias-de-ontem-a-crianca-interna-que-nos-carregamos/#respond Thu, 13 Feb 2020 12:52:44 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=6339 Após sete semanas abordando extensivamente um seriado longevo estadunidense, uma mudança de ares parecia bem-vinda. Aproveitando a nova seleção de filmes do Estúdio

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Após sete semanas abordando extensivamente um seriado longevo estadunidense, uma mudança de ares parecia bem-vinda. Aproveitando a nova seleção de filmes do Estúdio Ghibli na Netflix, escolhi um que eu nada sabia a respeito: Memórias de Ontem (no original “Omohide Poro Poro). Lançado em 1991, é o segundo filme assinado pelo Isao Takahata para o estúdio. A obra acompanha a viagem ao interior da Taeko Okajima (Miki Imai), conforme suas lembranças da infância invadem seus pensamentos no presente.

Diferentemente da maioria dos filmes do Ghibli, conhecidos por serem trabalhos de Fantasia – como A Viagem de Chihiro ou Meu Vizinho Totoro (ambos dirigidos e roteirizados pelo Hayao Miyazaki), Memórias de Ontem tem uma temática mais centrada na realidade concreta. Sua protagonista é uma mulher adulta de 27 anos, natural de Tóquio, rememorando seus 10 anos e suas preocupações da época: ciúmes, chiliques, e até menstruação. Para um país machista que obriga as funcionárias usarem salto alto como norma de etiqueta até hoje, esse tipo de narrativa em 1991 parece completamente revolucionária.

Baseando-se no mangá homônimo, um quadrinho semi-anedotal com histórias sem muita ligação entre si, Takahata consegue extrair situações verossímeis as quais desenvolvem a configuração mental da Taeko. Como essa criança cheia de manias tornou-se a mulher esforçada que anseia por trabalhar no campo e celebrar o trabalho à mão? Quais atributos da sua personalidade infantil vêm à tona no seu comportamento já adulto? De maneira não-linear, as pistas vão surgindo a partir das memórias e da reflexão da protagonista em cima delas. Apesar da Taeko não demonstrar facilmente sua vulnerabilidade, é notável como ainda carrega consigo a sua versão de 10 anos, teimosa e insegura.

No campo, a protagonista consegue explorar emoções que pareciam perdidas pela infância, desabrochar de verdade (se me permitem esse trocadilho) expondo um contraste fascinante entre o rural e o urbano. Inclusive, essa comparação parece ser uma temática que se permeia por toda a obra do autor, explorando dessa maneira seus sentimentos quanto à defesa do Meio Ambiente. Em entrevista ao portal Wired, Takahata disse o seguinte quanto ao uso desse tema em suas obras (em especial O Conto da Princesa Kaguya, tópico principal da matéria)

“É claro, a temática ambiental foi deliberada. Eu expressei isso como um tema latente em outros trabalhos também. Eu concordo genuinamente com a letra de What a Wonderful World cantada por Louis Armstrong. A vida no Japão era ao ritmo da natureza até a era moderna. Um sistema sustentável estava em vigor de maneira que as pessoas obtinham os frutos da natureza enquanto fosse permitida a sobrevivência da natureza de uma forma viável. Toda vida na Terra é cíclica – nascer, crescer, morrer, e reviver – assim como as canções que eu escrevi [para O Conto da Princesa Kaguya]. Eu considero essa a base de tudo. É por isso que eu exploro esse tema de novo e de novo.”

Isao Takahata. Crédito: Martin Holtkamp.

Com um cenário rico e visualmente interessante, a narrativa é elaborada com uma sensibilidade ímpar. Como mulher, admito que foi impressionante a execução de uma personagem mulher rodeada por questões femininas com tamanha profundidade e sinceridade. O passado, representado em cenários mais apagados, invadindo o vívido presente fez-me refletir como a minha versão infantil aparece ainda hoje, vários anos após eu me tornar adulta.

Abraçando o passado e o presente, o rural e o urbano, Takahata cria um espetáculo quieto, introspectivo, e delicado que encanta décadas após o seu lançamento. Certamente um clássico para revisitar quando sentir falta da sua criança interior.

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O Amor e a Sobrevivência em “O Túmulo dos Vagalumes” https://animesonlinebr.org/curiosidades/o-amor-e-a-sobrevivencia-em-o-tumulo-dos-vagalumes/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=o-amor-e-a-sobrevivencia-em-o-tumulo-dos-vagalumes https://animesonlinebr.org/curiosidades/o-amor-e-a-sobrevivencia-em-o-tumulo-dos-vagalumes/#respond Thu, 24 Oct 2019 14:30:54 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=4808 A fama do Túmulo dos Vagalumes chegou em mim muito antes de eu assistir ao filme. Como uma sombra pesada, o mistério quase

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A fama do Túmulo dos Vagalumes chegou em mim muito antes de eu assistir ao filme. Como uma sombra pesada, o mistério quase onírico dessa obra se instalou em mim, criando antecipação para a tragédia que eu vagamente conhecia a trama. Finalmente, depois de muito atrasar, e já impressionada com O Conto da Princesa Kaguya do mesmo diretor, Isao Takahata, decidi finalmente ver o filme.

Eu não estava pronta…

Ambientado nos últimos meses da 2ª Guerra Mundial, O Túmulo dos Vagalumes (1988) é uma estória de sobrevivência e amor acima de tudo. Baseada no conto homônimo publicado em 1967, a história é de natureza semi-autobiográfica, relatando momentos difíceis que seu autor, Akiyuki Nosaka, passou em sua adolescência. Falecido em 2015, Nosaka era da Yakeato Sedai – ou Geração das Cinzas, um grupo de pessoas que viveu sua adolescência na época dos bombardeios no Japão e nas ruínas subsequentes. 

Estação Ueno, Outubro de 1945

Como outros trabalhos produzidos por outros integrantes da Yakeato Sedai, é possível ver como o trauma perpassa sua narrativa, como as manchas da dor pintam toda a desgraça nos corações dos sobreviventes da Guerra. Com um cenário tão emocionalmente complexo e íntimo, o autor recusou-se a vender os direitos de sua obra premiada. Não achava que haveria jeito certo de adaptar a crueza dos seus sentimentos, até que foi convencido em usar animação pelo Takahata, e o resto é história.

Eu parei pela primeira vez para ver esse longa-metragem pouco depois da última cirurgia da minha mãe. Ela já descansava longe do hospital, e eu passava o dia na casa do meu parceiro. Iniciei o filme em meu computador, coloquei o fone e apertei o “play”. Imaginei que me emocionaria, porém nada nem ninguém poderia ter me preparado para o baque. Tive que interrromper quando sentimentos que eu sequer sabia que foram reprimidos vieram à tona conforme os ataques deixavam seus vestígios de destruição na cidade de Kobe, traçando no destino os últimos momentos de Seita, 14 anos, e Setsuko, 4.

Nascidos no confortável berço de um lar militar, os dois irmãos sofrem com o bombardeio estadunidense, o qual destrói suas vidas. Antes saudáveis e felizes, a Guerra arranca deles seus pais, apenas oferecendo em troca fome e doença, e, por fim a morte. A obra, inclusive, abre com a narração de Seita, “21 de setembro de 1945: aquela foi a noite que eu morri.”

Já cantei meus elogios ao Takahata outrora, entretanto, acho que sua estreia no Estúdio Ghibli superou qualquer expectativa que eu tivesse já do que já consumi dele. Há uma atenção a detalhes fenomenal na escolha de cores menos vibrantes e nas emoções traduzidas em desenhos sóbrios, simplesmente sutil e sincera. Os sentimentos são muito críveis assim como há uma fidedignidade à ambientação do Japão semi-urbano do final da Guerra. O espectador sente cada uma das desgraças na vida das duas crianças que, uma vez órfãs, prendem-se uma a outra pois criaram seu próprio mundinho no espaço entre elas.

Os atores de voz do Seita (Tsutomu Tatsumi) e da Setsuko (Ayano Shiraishi) também foram espetaculares. Fiquei muito impressionada com a amplitude emocional alcançada por artistas obviamente tão jovens. A trilha sonora é meticulosa e utilizada em momentos ideais, mantendo uma atmosfera perfeita para o desenrolar da narrativa.

A história foi construída de maneira magistral, explorando com franqueza os horrores da Guerra do ponto de vista dos civis, e também a beleza escondida em pequenos momentos de sobrevivência. Em entrevista à revista Animerica em 1994, Nosaka comentou que, no meio da destruição, aquilo que continha vida era mais destacado no olhar do órfão. “A morte estava próxima, então a sensação da vida era esmagadora.” Com uma delicadeza tamanha, Takahata adapta essas cenas de maneira elegante e respeitosa, compondo uma imagem forte e marcante para um dos melhores filmes do acervo Ghibli.

Como efêmeros vagalumes, Seita e Setsuko deixaram esse mundo sem muito viver, mas o rastro de suas luzes continua na memória de quem os viu: brilhante e singela.

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O Conto da Princesa Kaguya https://animesonlinebr.org/anime/o-conto-da-princesa-kaguya/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=o-conto-da-princesa-kaguya https://animesonlinebr.org/anime/o-conto-da-princesa-kaguya/#respond Thu, 19 Sep 2019 14:52:03 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=4302 O Estúdio Ghibli por si só já dispensa quaisquer introduções: seus fenomenais longa-metragens animados encantam multidões há décadas e o seu nome nos

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O Estúdio Ghibli por si só já dispensa quaisquer introduções: seus fenomenais longa-metragens animados encantam multidões há décadas e o seu nome nos créditos já serve como indicativo de um produto de qualidade. A primeira vez que tive algum contato com alguma de suas produções, eu tinha cinco anos e via no cinema “A Viagem de Chihiro”. Fiquei completamente maravilhada com a história sensível e os traços elegantes e, ainda que não compreendesse tudo, eu associei para sempre na memória o nome Ghibli à ideia de excelência.

Com essas essas expectativas em mente, eu assisti O Conto da Princesa Kaguya (2013) em 2015, pouco depois do resultado das premiações do Oscar. Havia ficado indignada com a vitória de Operação Big Hero visto que eu tinha enormes esperanças para essa produção japonesa. Depois de assistir, no entanto, minha indignação se tornou uma fúria com a tamanha injustiça aplicada pela academia estadunidense: o filme era, afinal de contas, estonteante.

Kaguya-hime no Monogatari (“O Conto da Princesa Kaguya”) é a adaptação da lenda japonesa Taketori Monogatari (“O Conto do Cortador de Bambu”), uma das histórias mais antigas da tradição oral nipônica. É narrado como um senhor idoso em um dado dia, praticando seu ofício, encontra um bebê dentro de um bambu e cria essa criança vinda dos céus com a sua esposa. Eventualmente, ele também encontra ouro e presentes no interior dos bambus – o que ele prontamente utiliza para investir na sua filha.

Princesa Kaguya em sua primeira infância. Créditos: Estúdio Ghibli

Ao contrário das outras obras do estúdio, Kaguya-hime assume um estilo de animação diferente, trocando os famosos traços um pouco cartunescos e extremamente detalhados por algo mais próximo à tradição do país do Sol Nascente. Suas linhas então dessa vez adquirem uma aparência mais simples, simulando rascunhos de giz, criando significado a partir de um conto de fadas japonês, porém sem perder sua aura etérea na composição delicada das cenas.

A narrativa expande de maneira magistral os personagens da lenda: eles têm desejos e objetivos claros. Mais do que artifícios para uma moral, eles existem, vibram, respiram na película ao longo de duas hora e dezessete minutos. Seus intérpretes fazem um trabalho estupendo com suas vozes, trazendo vida a cada uma das figuras que aparecia em cena. Em especial, Aki Asakura foi brilhante na pele da personagem titular, demonstrando um ótimo alcance emocional, capaz de mostrar grande alegria como também profunda tristeza.

Isao Takahata, falecido em 2018, dirigiu as cenas com uma sensibilidade singular e bastante propósito. Diferentemente do seu colega e co-fundador do Estúdio Ghibli, Hayao Miyazaki, ele não era animador, o que torna a sua realização ainda mais fascinante. Em sua entrevista para Film4, ele disse: “Eu realmente não desenho, não sou artista, mas eu faço alguns rascunhos para a equipe seguir. Além disso, eu entendo que tipo de imagem se encaixaria melhor, e que tipo de pose os personagens assumem, o ritmo da atuação, e as expressões dos personagens. E dessa maneira eu participo grandemente em qualquer projeto. Pode ser um pouco presunçoso da minha parte, mas eu sei o que quero e como obter, então eu tenho que dirigir para mostrar ao pessoal como chegar lá”.

Isao Takahata. Crédito: Shizuo Kambayashi

O Conto da Princesa Kaguya comove sem precisar apelar para recursos exagerados, construindo de maneira competente uma história sutil sobre como é preciosa a nossa breve existência e como essa deve ser aproveitada. A Princesa, em sua estadia na terra, amou, conheceu lugares, e aprendeu sobre a condição humana.

Com lágrimas em meus olhos, despedi-me de seus personagens sabendo que havia encontrado algo especial. Mais uma vez o Estúdio Ghibli havia acertado.

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