Editora Devir - Animes Online BR https://animesonlinebr.org viage com a gente no Animes Online BR Fri, 27 Aug 2021 17:58:19 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 https://mundodosanimes.com/wp-content/uploads/2022/08/cropped-14c6bcf3-be6c-4046-ae51-74e8880e70ba-scaled-1-32x32.jpeg Editora Devir - Animes Online BR https://animesonlinebr.org 32 32 Black Science: as consequências interdimensionais da ambição humana https://animesonlinebr.org/hq/black-science-as-consequencias-interdimensionais-da-ambicao-humana/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=black-science-as-consequencias-interdimensionais-da-ambicao-humana https://animesonlinebr.org/hq/black-science-as-consequencias-interdimensionais-da-ambicao-humana/#respond Sat, 28 Aug 2021 15:00:47 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=24310 Não é segredo para ninguém que eu comecei a adentrar no universo das HQs há pouquíssimo tempo e, algumas obras tem chegado nas

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Não é segredo para ninguém que eu comecei a adentrar no universo das HQs há pouquíssimo tempo e, algumas obras tem chegado nas minhas mãos como grandes oportunidades que surgem do nada. Black Science foi uma delas.

Eu não conhecia o trabalho do Rick Remender até ler o volume 1 de Black Science (eu pelo menos eu achei que assim fosse), onde descobri que ele é o autor de uma das primeiras grafic novels que li (lá pelo ano de 2010), Night Mary, uma história que, se me lembro bem, é muito envolvente e cheia elementos muito interessantes, e isso me deu muitas expectativas com relação à obra que estava à minha frente.

Black ScienceNo primeiro volume de Black Science somos apresentados à Grant McKay, um cientista que tem a missão de criar um portal para outras dimensões para uma organização de Anarquistas. Já nas primeiras páginas do volume, entendemos que nem tudo na missão está dando certo, afinal, um dos experimentos falha ao levar um grupo de cientistas e duas crianças para o “sempreverso”.

Questões profissionais, pessoais e de caráter moral são temas de monólogos inteiros já no primeiro contato com a obra, fazendo com que o espectador se veja curioso com o motivo de tantas preocupações, em meio a um turbilhão de acontecimentos que surgem nos quadros do HQ.

A HQ é roteirizada por Rick Remender e tem ilustrações do italiano Matteo Scalera, que trabalhou em grandes obras como O Indestrutível Hulk. A coloração ficou por conta de Dean White que também fez parte da produção de grandes obras.

Black Science

A obra é surpreendente em todos os sentidos, a cada virar de páginas somos levados a lugares complexos tanto na questão de roteirização sobre o local, quanto artisticamente falando. A beleza e a fluidez das artes e das cores elaboradas por Scalera ganham uma dimensão incrível, fazendo com que o espectador ganhe uma experiência super imersiva durante toda a obra.

Um dos fatores mais interessantes na narrativa é que cada capítulo é contado de um ponto de vista diferente, os sentimentos, pensamentos e sensações de cada um dos integrantes da equipe tem seu espaço, fazendo com o leitor enxergue diferentes opiniões sobre o que os personagens estão vivendo, inclusive em meio a todos os momentos sufocantes. Como cada personagem tem seu lugar ao sol, acabamos nos identificando um pouco com cada um e fazendo com que suas perspectivas ganham um peso e uma intensidade.

O primeiro volume, intitulado “Como cair para sempre” conta com seis capítulos, já o segundo volume, “Bem-vindo, Lugar Nenhum” expande o universo da obra ao adicionar uma capacidade que parece ser infinita na sua narrativa, além de nos apresentar a uma situação de morte aleatória e decorrente dos saltos entre as dimensões do líder dos Anarquistas.

Já no terceiro volume, McKay se encontra preso em um mundo atacado e quase arruinado por uma praga e lá entende que todas as dimensões pelas quais passou com sua equipe foram devastadas pela tecnologia do Pilar. Inúmeras questões internas da equipe surgem e tudo entra em colapso. McKay pode perder tudo pelo que lutou na tentativa de salvar um mundo que sequer é o dele.

A obra como um todo tem um tom otimista a cada novo ciclo: apesar dos saltos seguidos do portal representarem universos corrompidos e cheios de novidades nada agradáveis, a todo momento e a cada novo mundo visitado surgem novas oportunidades de imaginação.

Black Science nos faz questionar até onde vai a ambição humana quando o assunto são interesses intensos que não conseguem enxergar as consequências.

A obra foi trazida para o Brasil pela editora Devir, que está trazendo agora o volume 3 em Setembro de 2021, com tradução de Giovana Bomentre.

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Skyward vai deixar saudades! https://animesonlinebr.org/post/skyward-vai-deixar-saudades/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=skyward-vai-deixar-saudades https://animesonlinebr.org/post/skyward-vai-deixar-saudades/#respond Sat, 05 Jun 2021 15:00:14 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=21504 Começar um texto falando de um final é bem difícil. As primeiras palavras que eu escrevo são sempre “É isso” seguidos de uma

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Começar um texto falando de um final é bem difícil. As primeiras palavras que eu escrevo são sempre “É isso” seguidos de uma vírgula e muitos minutos de reflexão. Me despedir de Skyward é, como bem disse Lee Garbett em suas considerações finais, fechar uma janela para o mundo da obra enquanto ela segue em frente com suas histórias malucas sobre uma garota que é, acima de tudo, corajosa.

Skyward páginas coloridas

O terceiro e final volume de Skyward já se inicia com uma das melhores passagens da obra, trazendo o que, para mim, é uma reflexão sobre o quanto a sociedade te pressiona a ter segurança e estabilidade em primeiro lugar, muitas vezes fazendo com que a ideia de seguir os nossos sonhos, alcançar o nosso céu, seja uma completa loucura que pode ser punida com a morte (no sentido metafórico de ser, claro). A obra trás uma crítica muito interessante nesse momento inicial (e eu estou falando apenas das primeiras páginas), quando aponta que nem essa “segurança” é tão segura assim.

Já deu pra entender que o volume já começa te dando aquele bom e velho solavanco? Mas calma que nem tudo são questões existenciais complexas (ainda bem). Após esse momento introspectivo com Willa, nossa protagonista, o volume caminha para fechamentos de ciclo muito bem desenvolvidos e como não poderia deixar de ser, cheios de ação.

Willa em Skyward

Durante toda a obrade Skyward, Willa enfrenta tempestades assustadoras, insetos gigantes carnívoros, uma rebelião fatal e muitas tristezas, mas é chegada a hora de consertar a gravidade da terra e atender ao último pedido de seu pai: fazer com que mundo volte a ser como antes. E esse trajeto é escrito de forma espetacular pelo roteirista Joe Henderson, fazendo com que toda a dinâmica da obra entre em seu melhor momento nesse volume final. 

É incrível como apesar de toda a movimentação, as tramas muito bem articuladas e montadas, o carisma de Willa é sempre um ponto que jamais é deixado de lado, a personagem tem traços muito reais e reflexões que nos fazem às vezes tirar o pé do chão e desejar voar, mas, em muitas vezes te derruba com força total em direção ao chão, e é pra doer mesmo.

Capa volume 3 Skyward

Por fim, parece que me despedi daquela amiga sensata do grupo. Aquela, que sempre tem os melhores conselhos, mas que também tem umas histórias de deixar os cabelos em pé e de fazer você ter muita coisa pra pensar após o jantar da sexta-feira à noite com ela. Terei muitas saudades da obra e já estou animada para saber o próximo projeto que essa dupla (Joe Henderson e Lee Garbett) farão juntos e que Editora Devir trará. 

Skyward é publicado no Brasil pela Editora Devir e tem sua obra completa em 3 volumes super especiais de páginas coloridas e material de excelente qualidade. 

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Astra Lost in Space: Uma aventura principalmente sobre superações https://animesonlinebr.org/manga/astra-lost-in-space-uma-aventura-principalmente-sobre-superacoes/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=astra-lost-in-space-uma-aventura-principalmente-sobre-superacoes https://animesonlinebr.org/manga/astra-lost-in-space-uma-aventura-principalmente-sobre-superacoes/#respond Tue, 01 Jun 2021 14:37:41 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=21406 Lançado seus 5 volumes aqui no Brasil pela Editora Devir, Astra Lost in Space é um mangá do gênero sci-fi que consegue se

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Lançado seus 5 volumes aqui no Brasil pela Editora Devir, Astra Lost in Space é um mangá do gênero sci-fi que consegue se destacar, criando uma aventura planetária que, acima de tudo, seja uma grande aventura de superação para os personagens que possuem histórias tão conflituosas. 

Astra Lost in Space, ou seu título em japonês, Kanata no Astra, é um mangá japonês lançado em 2016, de Kenta Shinohara, também autor de SKET Dance e, atualmente, Witch Watch. O mangá conta com 49 capítulos e uma adaptação de série de anime para televisão foi ao ar em 2019, produzida pelo estúdio Lerche. Os quatro primeiros volumes de Astra Lost in Space já foram lançados aqui no Brasil. O quinto volume está previsto para lançamento em junho. 

No mangá, seguimos a história de 9 estudantes que partem para um “Acampamento Planetário”, uma excursão de cinco dias ao planeta McPa, sem a presença de adultos. No entanto, ao chegarem no planeta, uma esfera brilhante aparece diante deles e eles são absorvidos e enviados para as profundezas do espaço sideral. Uma nave espacial abandonada que estava na região em que eles aparecem é a única chance deles voltarem para casa.

Além da ambientação do espaço e de cada planeta que é visitado durante a história, um ponto que chama bastante atenção em Astra Lost in Space com certeza é o mistério envolvente que Shinohara nos apresenta. É uma história que consegue desenvolver muito bem seus personagens, construindo conexões entre cada um que envolve ainda mais o leitor. 

Análise do enredo de “Astra Lost in Space”

Começamos a história com a apresentação dos personagens de uma forma bem singela. Tudo é apresentado também um pouco na perspectiva da personagem Aries. Ela é encarregada do diário de bordo durante o mangá inteiro, assim, ela também faz um pequeno papel de narradora, onde ela cita os principais eventos que acontecem durante a viagem especial deles. 

Assim, somos apresentados ao conflito principal da história. Os personagens, que iriam participar de um acampamento planetário, acabam sendo sugados por uma esfera e enviados para o espaço. Eles conseguem se salvar e todo o plano é traçado para eles conseguirem voltar para casa. Ainda meio incertos se esse evento foi planejado contra eles, mais problemas começam a aparecer que atrapalham a ida deles para casa. Desse modo, a cada capítulo que passa, Shinohara nos apresenta vários mistérios e possíveis conexões que se interligam ao problema principal: Quem mandou eles para o espaço?

Sobre o universo que se passa a história, é bastante criativo. Temos momentos dos personagens na nave e também nos 5 planetas que eles passam durante a história. O interessante é que cada planeta tem sua peculiaridade marcante, onde os personagem sempre se envolvem em problemas, seja pelo clima do planeta, animais perigosos ou pela vegetação diferenciada do planeta. 

O planeta natal dos personagens também possui uma história que atiça nossa curiosidade. Além de vermos a movimentação da população sobre o caso dos adolescentes que sumiram, temos também uma movimentação sobre uma lei que todos os cidadãos do planeta Astra precisam fazer um teste de DNA. Assim, começamos a se questionar se essa lei tem alguma ligação com o sumiço dos adolescentes. Tudo isso é apresentado de uma forma inteligente para a trama que demoramos para interligar esses eventos. Contudo, percebemos como todos os eventos estão relacionados.

Mas um dos pontos principais da história do mangá é que, por mais que se trate de um sci-fi, o que mais chama atenção são os momentos de comédia e drama. Shinohara consegue então muito bem manejar esses dois gêneros para sua história. 

Formato dramático de Shinohara Kenta: Construção de Personagens

Para quem é familiarizado com SKET Dance, a primeira obra de Shinohara, talvez já esperasse um formato parecido para a história Astra Lost in Space. SKET Dance, como já analisado aqui no NSV Mundo Geek,  trabalha com uma história de comédia mas, ao compartilhar o passado de seus personagens, vemos histórias dramáticas, que revelam passados bem tristes. Contudo, Astra Lost in Space não é exatamente um mangá que seu ponto principal é a comédia, mas vemos uma proposta de construção de personagem bem parecida.

Os personagens de Astra têm personalidades bem destacadas. Em exceção de Aries, temos Quitterie que é a garota rica; Funicia, irmã mais nova de Quiterrie, a criança da equipe porém “a mais fofa”; Luca, o brincalhão; Ulgar, o personagem mais sério e frio; Charge, o galã do time; Yunha, a personagem que demonstra insegurança a todo momento; Zack, o personagem mais inteligente e, por fim, Kanata, nosso protagonista, tem seus momentos bobos, típico protagonista de anime mas também é bastante corajoso. São personagens que têm personalidades até que comuns em obras ficcionais, ainda mais em animes e mangás. 

Esses personagens têm essas personalidades mais destacadas por conta do passado que eles vivenciaram e os problemas atuais com seus pais. Shinohara então cria um tom dramático onde, quando lemos, entendemos as crenças e motivações dos personagens e porque eles são assim. O leitor, portanto, cria mais empatia pelo personagem apresentando. 

Mas, fazendo uma análise de todos os passados dos personagens citados antes, o interessante é como o autor deixa uma ligação a amostra para o leitor, ou seja, todos ali têm problemas familiares, isso sendo mais um dos motivos do porquê deles serem largados no espaço. No entanto, a história nos impressiona, nos mostrando um motivo acima, que faz ainda mais sentido, que é sobre os personagens serem clones de seus próprios pais. 

Consequentemente, eles precisam ser a melhor forma dos pais, alguns tendo que ser treinados para o pai poder receber o melhor corpo possível. São filhos deixados de lado, onde eles são apenas um recipiente para os pais para o futuro. Essa então é a ligação principal dos nossos personagens. Eles possuem principalmente fortes inseguranças em comum por conta de seus passados e como são tratados pelos pais.

Aries se destaca. Conhecemos sobre seu passado, mas ela sempre foi tratada bem pela sua mãe que a criou. Mas, como pontua Gabriel Guerrero em sua análise da história no site QuadroxQuadro (2019), isso permitiu que Aries já chegasse na viagem “pronta”, sendo então ela o meio pelo qual os outros personagens encontram esperança. 

Cada história fortalece as motivações atuais dos adolescentes. Os que mais se destacam, com certeza são de Ulgar, que perdeu seu irmão, e assim decidiu seguir o caminho do mesmo, se tornando um jornalista investigativo; Yunhua, que sempre foi rejeitada por sua mãe cantora, sendo o sonho da garota também de se tornar cantora; e principalmente de Luca, um tema interessante ser debatido no mangá, onde temos um personagem intersexo.   

Outra personagem que também podemos citar é Livinskaya Polina. Ela acaba sendo resgatada pelos estudantes em um dos planetas. No primeiro momento, a personagem fica deslocada, mas depois o autor cria uma certa importância para a mesma, onde é a função de Polina contar sobre o segredo do universo, sobre o que aconteceu com a Terra e o planeta Astra, o planeta natal dos personagens. Esse é mais um mistério do mangá que Shinohara conseguiu trabalhar muito bem no seu desenvolvimento. 

O personagem Charge também merece destaque. Ele é revelado como o traidor do grupo, que também morreria após levar todos ao espaço.  Na leitura, entendemos que o possível traidor acabou criando empatia pelo grupo e aceitou a aventura. No entanto, no último volume, temos a revelação do nosso traidor, que ainda estava tentando atrapalhar a ida para a casa desses personagens. Sendo um traidor até que esperável, Charge, no entanto, nos entregou grandes momentos, revelações e discussões sobre seus ideais,  tornando mais lógica suas motivações, mas toda a equipe acaba perdoando o mesmo.

A importância das relações em Astra Lost in Space

Como citado, por mais que Astra Lost in Space é um mangá sci-fi, que retrata as aventuras dos personagens perdidos no espaço tentando voltar para casa, o que ganha destaque principalmente é a construção dos personagens e suas relações. Shinohara então nos apresenta esses personagens com um tom mais leve da comédia, mas que são apresentados mais profundamente com um tom mais dramático. Além de tudo, Astra possui grandes mistérios, que são resolvidos de uma forma bem coesa. 

A mensagem que fica em Astra Lost in Space é com certeza a interligação desses personagens. São personagens que tiveram passados difíceis, mas se encontraram novamente nessa aventura. Os personagens puderam ter outra oportunidade de ter uma nova família. Assim, entendemos que esse grupo se tornou a resolução de problemas desses personagens, para eles conseguirem seguir em frente com seus sonhos.  

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A Casa: a HQ que um garoto quis escrever para o seu pai, de Paco Roca https://animesonlinebr.org/post/a-casa-a-hq-que-um-garoto-quis-escrever-para-o-seu-pai-de-paco-roca/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=a-casa-a-hq-que-um-garoto-quis-escrever-para-o-seu-pai-de-paco-roca https://animesonlinebr.org/post/a-casa-a-hq-que-um-garoto-quis-escrever-para-o-seu-pai-de-paco-roca/#respond Sat, 06 Mar 2021 15:00:51 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=18323 Existem histórias que passam pelas nossas vidas e, simplesmente, não deixam a gente seguir em frente sem antes termos um longo momento de

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Existem histórias que passam pelas nossas vidas e, simplesmente, não deixam a gente seguir em frente sem antes termos um longo momento de reflexão. É esse o sentimento que A Casa, de Paco Roca, deixa quando finalizamos sua leitura.

Uma obra que fala primordialmente sobre o tempo que passa, sobre uma família que regressa a um velho imóvel, propriedade de seu pai que faleceu recentemente, para organizá-lo e colocá-lo à venda. Os três irmãos então retornam à casa em que passaram boa parte da infância, e, um a um, vão tendo recordações e lidando diretamente com cada sentimento e feridas emocionais trazidas pela sua perda. Sentimentos sobre o passado de cada personagem devem ser entendidos e sentidos por eles, e nós, os leitores, sentimos tudo junto.

Com uma narrativa extremamente leve e com gosto agridoce de saudade, acompanhamos toda a ideia de que o tempo corre (como nas lindas passagem quadro a quadro do HQ), acontecem pequenas coisas que nos marcam de forma positiva ou negativa, e de que simplesmente não podemos fazer nada com relação a esse fato. Por que afinal, um dia, o que vai restar, são lembranças do que já passou, e Paco Roca sabe trazer toda essa complexidade com maestria: sem dramas, sem sofrimentos, só aquele nózinho na garganta que nos faz refletir a cada virar de páginas.

Fernando Marías acertou em cheio em sua colocação na contra capa da obra “[…] E A Casa, que é um quadrinho que um garoto quis fazer para o seu pai falecido, é também o quadrinho que permitiu que Paco Roca desenhasse o tempo que passa, que passou ou que irá passar.”. Nesse momento, Fernando nos conta de onde vem esse sentimento que fica conosco quando finalizamos a obra: de uma experiência real, verdadeira e sincera que o autor precisou transformar em tinta e papel para conseguir se expressar.

No decorrer da história, vamos nos identificando com cada um dos personagens pelo simples fato de que é nato do ser humano sentir saudades, ou uma leve sensação de nostalgia. E essa sensação, pode ser explicada pelas várias passagens de tempo “vazias” que vemos durante toda a obra. Esses espaços podem ser incluídos no conceito de Ma (palavra japonesa para “um vazio com significado”), são espaços de tempo em que vemos folhas voando com uma leve brisa, galhos balançando com o vento, chuva, personagens apenas apreciando uma paisagem, ou pensando, etc. Você pode entender um pouco melhor sobre o conceito nesse vídeo do canal Entre Planos: Hayao Miyazaki: A Importancia do Vazio.

Por fim, entendemos que o tempo que passa não tem volta, decisões já foram tomadas, palavras já foram ditas e várias coisas poderiam ter sido feitas. Paco Roca parece querer nos dizer que, por mais que sejam momentos, ações ou situações banais, até mesmo cotidianas, lá na frente nós vamos olhar para trás, voltar ao passado e entender que deveríamos ter dado mais valor ao que foi pequeno. Àquela conversa que tivemos sobre qualquer bobagem do dia a dia, mas que dizia tanto sobre a outra pessoa, ou até mesmo aquela briga que tivemos, mas que terminou tudo bem, afinal, era só mais uma discussão breve.

Paco Roca nasceu em Valência, no ano de 1969, entre outras HQs ele publicou El faro, Rugas — pela qual recebeu o Prêmio Nacional del Cómic em 2008, os prêmios de Melhor Roteiro e Melhor Obra no Salão Internacional de Quadrinhos de Barcelona de 2008 e o Prêmio Goya de Melhor Roteiro de 2012, você pode saber mais sobre Rugar no texto de Helena Demarchi Rugas: A delicada história da HQ de Paco Rocas. A Casa será lançada no Brasil pela editora Devir em Março de 2021 e para quem, como eu, anseia por esse momento de reflexão em tempos líquidos, é uma rápida e deliciosa dose de sentimentos.

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Rugas: A delicada história da HQ de Paco Roca https://animesonlinebr.org/hq/rugas-a-delicada-historia-da-hq-de-paco-roca/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=rugas-a-delicada-historia-da-hq-de-paco-roca https://animesonlinebr.org/hq/rugas-a-delicada-historia-da-hq-de-paco-roca/#respond Tue, 02 Mar 2021 14:40:27 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=18195 Trabalhando com um tema bem delicado, o Alzheimer, Paco Roca consegue passar uma mensagem bastante sentimental em sua história em quadrinhos chamada Rugas.

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Trabalhando com um tema bem delicado, o Alzheimer, Paco Roca consegue passar uma mensagem bastante sentimental em sua história em quadrinhos chamada Rugas. A história consegue trazer um desfecho inevitável, mas afetuoso. 

Rugas conta a história de Emílio que foi internado em um asilo para idosos porque ele sofre de Alzheimer. O senhor encara a vida comunitária como uma prova difícil de se vencer, mas acaba aceitando rapidamente o seu novo ambiente, decidindo lutar para escapar do possível destino que sua doença o levará. 

A trama de Rugas traz a simplicidade necessária para um assunto complexo, sendo trabalhado na visão de uma pessoa idosa, vivendo seus “últimos anos de vida”, com Alzheimer, uma enfermidade incurável, que se agrava ao longo do tempo. Para isso, o autor busca evitar situações melodramáticas, mas sem abandonar uma abordagem sentimental. 

Análise do enredo de “Rugas”

Já na sinopse da contracapa da edição que será relançada pela Devir aqui no Brasil, é mostrada uma mensagem de Paco Roca. Para o autor, “a comunidade do ser humano lembra uma biblioteca, na qual os livros se empilham em montanhas de papel amarelado, povoadas de sonhos e fantasias.” Isso remete ao desgaste de toda uma vida de um ser humano, que acaba sendo coberto por rugas. Algumas letras, ou seja, memórias, podem se apagar, “mas as emoções mais intensas sobrevivem, preservadas como um tesouro escondido numa ilha distante.” 

Emílio é deixado no asilo pelo seu filho e nora, após começar a ser difícil cuidar dele em casa. Junto com Emílio, somos apresentados ao asilo por Miguel, um senhor que morou na Argentina e voltou para a Espanha décadas atrás. O asilo parece um local limpo e organizado. Mas isso se disfarça atrás da verdadeira realidade, a solidão. Emílio está isolado, com pessoas desconhecidas, sendo deixado pelo seu filho após não ter mais outra opção. 

Mesmo no começo sendo difícil, Emílio parece começar a se adaptar ao asilo e às pessoas. No entanto, a mensagem que fica é qual o tipo de sensação que aquelas pessoas transmitem ao estarem “no fim da vida”. O corpo não reage mais com a mesma velocidade, e o raciocínio pode falhar. Como comenta Franz Lima (2020) em sua análise sobre a história no site No Set, “o tempo castiga as pessoas e tem o dom de apagar os feitos delas, mas algumas – por intermédio da memória – mantêm esse passado relativamente intacto.”

A importância das memórias

As memórias acabam sendo uma das partes mais importantes do indivíduo. Assim, Emílio tenta lutar para não esquecer suas memórias do passado. Temos cenas então do senhor se esforçando para não esquecer, muitas vezes sendo ajudado por Miguel, um personagem malandro, que acaba explorando os outros idosos do asilo, mas que acaba fazendo o papel de uma família para Emílio, tentando trazer dicas de como Emílio poderia atrasar o processo do Alzheimer. Assim, temos cenas de Miguel ajudando Emílio a se vestir, colocando etiquetas nas roupas dele para que Emílio não se esqueça do nome dos objetos, e até ambos raspando a barba às 3 da manhã como se fosse a coisa mais normal do mundo. 

No entanto, ao ir lendo a história, sabemos do desfecho inevitável que a trama terá. Lutar contra uma doença que acaba fazendo você perder suas memórias é de certa forma triste. Uma das cenas mais delicadas é quando Emílio, Miguel e Antônia, amiga deles, estão jantando juntos, e eles descobrem que o casal Dolores e Modesto, tiveram que se mudar de ala do asilo após uma piora de Modesto por conta também do Alzheimer. Dolores não conseguiu deixar o marido sozinho e acabou se mudando também. Miguel questiona a situação, falando da decisão de Dolores. Antônia só comenta que Miguel nunca entenderia já que ele nunca amou ninguém.

Analisando, a relação de Dolores e Modesto, que é demonstrada na história, é outra situação muito cruel do Alzheimer. Cuidar de seu marido, mas até certo ponto ele poderá esquecer das memórias que ele tem com você, e até da pessoa em si. E isso é demonstrado também em uma das cenas finais da história, com Miguel e Emílio, de uma forma delicada, fazendo Emílio esquecer o rosto de seu grande amigo. 

Em suma, mesmo sendo uma história bem delicada, que mostra o ambiente de um asilo, e os contratempos de um protagonista com o Alzheimer, ainda temos cenas de felicidade, de aprofundamento de laços entre aqueles senhores que estão no asilo pois, como pontua Lima (2020), “ainda que a família nos esqueça, haverá alguém que se lembrará de nós.”

Rugas será relançado pela Editora Devir em março deste ano (2021). Um filme da história foi lançado em 2012 na Espanha, em animação, intitulado Wrinkles. Rugas apresenta seus momentos de humor, muito bem feitos, mas também, tratando verdadeiramente os sentimentos de um idoso em um asilo com Alzheimer. Portanto, Rugas é uma história dedicada a todos os idosos de hoje, e também os de amanhã. 

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GYO: Mais uma história exorbitante de Junji Ito https://animesonlinebr.org/manga/gyo-mais-uma-historia-exorbitante-de-junji-ito/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=gyo-mais-uma-historia-exorbitante-de-junji-ito https://animesonlinebr.org/manga/gyo-mais-uma-historia-exorbitante-de-junji-ito/#respond Tue, 09 Feb 2021 15:03:05 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=17556 Com uma história exorbitante, e um traço que fortalece a essência necessária desse mangá, acompanhamos em GYO animais aquáticos com pernas de metal

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Com uma história exorbitante, e um traço que fortalece a essência necessária desse mangá, acompanhamos em GYO animais aquáticos com pernas de metal invadindo a vida terrestre. Assim, mais uma vez, Junji Ito conseguiu trazer sua essência em mais um mangá de sua horror de sua autoria. 

GYO: Ugomeku Bukimi é um mangá de terror seinen escrito e ilustrado por Junji Ito, lançado em 2001 na revista Big Comic. A história gira em torno do casal Tadashi e Kaori, que lutam para sobreviver contra uma misteriosa horda de peixes mortos-vivos com pernas de metal. As criaturas ainda possuem um odor conhecido como “fedor da morte”. O mangá ainda acompanha duas histórias bônus. No Brasil, a editora Devir publicou recentemente o mangá, compilado em um único volume. 

Junji Ito consegue então demonstrar com maestria a essência do medo e terror dos personagens ao enfrentar uma situação até excessiva, mas que, os sentimentos de terror dos personagens, conseguem contrastar muito bem com a história. 

Análise do enredo e personagens

Começamos o mangá com o casal Tadashi e Kaori em alto mar. Kaori reclama que o cheiro da maresia faz ela mal. Os dois estão passando férias em uma casa de praia. É interessante nesses primeiros momentos analisar a relação do casal, percebendo-se que os dois acabam brigando muito fácil. No entanto, Tadashi parece não querer desistir do relacionamento, pois ama a garota e tem medo que ela fique sozinha. 

Analisando o relacionamento dos dois e sobre a construção dos personagens, acabamos vivenciamos um relacionamento sombriamente humorístico. No entanto, quando as criaturas aquáticas de pernas de metal aparecem e Kaori entra em desespero, e depois o casal volta para Tóquio, temos um relacionamento entre os dois totalmente diferente. Dessa vez, são personagens mais apáticos, como cita Kimlinger (2008) em sua análise do mangá: “eles são egocêntricos e propensos a abusos verbais – mas seu relacionamento, especialmente quando entra em um território verdadeiramente bizarro, fornece a GYO um gancho emocional essencial.”

Analisando agora os personagens, temos Kaori que, muitas vezes, acaba se desesperando e a reação da personagem parece tão real, muito bem desenhada e demonstrada que, muitas vezes, parece que também estamos sentindo a carniça dos animais. Assim, o sofrimento de Kaori é muito bem demonstrado, ainda mais quando ela é infectada pela bactéria e seu corpo se transforma. O leitor sente o desespero pela garota e o ponto alto com certeza é quando ela tenta se enforcar. 

Tadashi, que é o personagem que está mais em foco no mangá, a maioria de suas cenas em desespero, são por conta da Kaori. Então, é interessante analisar que um personagem move o outro diante do conflito principal do mangá, que são os peixes violentos. 

No fim, Kaori  morre, não tendo mais corpo, acaba tendo seu fim de um jeito sombriamente triste. É um fim que nenhum relacionamento deveria sofrer, acabando de uma forma dolorosa e excedente, porém, com esse tom necessário para a obra. No entanto, o fim da obra não é de certa forma tão concreto, mas não sendo um problema. 

Analisando sobre as duas histórias extras, uma delas é “A Trágica História do Pilar Principal”, um conto mais curto que mostra um pai de uma família que fica preso sob um pilar de um casa. Ele não pode sair de lá se não a casa acaba desmoronando. Ele morre e seu corpo permanece lá para sustentar a casa. O outro conto, um pouco mais longo, chama “O Mistério da Falha de Amigara”,  onde um terremoto deixou falhas em na Montanha de Amigara, tendo formato de pessoas.  Assim, as pessoas sentem necessidade de entrar nesses buracos que tem seu formato. Esta segunda história é mais interessante e tem um final até que surpreendente. As duas histórias vem também no volume único da Devir.

A arte de Junji Ito em GYO

Como citado, a arte de Junji Ito consegue muito bem ambientar a história do mangá. Os personagens são desenhados até de uma forma simples, com reações um pouco mais de detalhes, mas que tudo consegue demonstrar os sentimentos necessários para as cenas. Os personagens, muitas vezes, possuem olhos assustados e closes em seus rostos, demonstrando as expressões de terror. O personagem que chama mais atenção com certeza é o tio de Tadashi, que acaba enlouquecendo, tendo uma feição assustadora, após tentar várias experiências com esses animais e depois com Kaori

Sobre os cenários, Ito ilustra as correntes de ar, mostrando como o “fedor da morte” penetra nos personagens. O tio de Tadashi até comenta sobre como é o cheiro desses animais, parecendo o cheiro do corpo morto de alguém que ficou dias apodrecendo. Assim, Ito busca algumas vezes desenhar formas de demônios no meio das correntes de ar, demonstrando algo como a possível morte. Já os monstros aquáticos com pernas de metal, têm uma arte mais grossa, tornando seus monstros grotescos. A arte consegue ser ainda mais perturbadora quando os humanos são infectados pelas bactérias e são postos nas pernas de metal, e consequentemente, ver Kaori nesta situação, deixa o leitor impactado. 

Para quem não conhece as obras de Junjo Ito, e tem interesse em começar a ler histórias de horror, GYO é uma boa indicação. Acompanhamos uma ótima construção dos seus personagens que, possuem uma reviravolta hedionda e sombria em suas construções e em seus relacionamentos, diante de um evento macabro e excessivo.  

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Incorruptível: A busca da redenção de um ex-vilão https://animesonlinebr.org/hq/incorruptivel-a-busca-da-redencao-de-um-ex-vilao/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=incorruptivel-a-busca-da-redencao-de-um-ex-vilao https://animesonlinebr.org/hq/incorruptivel-a-busca-da-redencao-de-um-ex-vilao/#respond Tue, 15 Dec 2020 15:00:46 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=16357 Os leitores de HQs estão normalmente acostumados a acompanhar histórias de super-heróis que acabam representando aquilo mais nobre entre nós. No entanto, em

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Os leitores de HQs estão normalmente acostumados a acompanhar histórias de super-heróis que acabam representando aquilo mais nobre entre nós. No entanto, em Incorruptível, acompanhamos o personagem Max Destrutor, um supervilão que decide seguir sua nova missão, aplicar a lei. 

Incorruptível é uma série de quadrinhos americana publicada pela Boom! Studios. Escrita por Mark Waid, Incorruptível segue a história do ex-vilão Max Destrutor em sua jornada para se tornar um super-herói. O quadrinho é um spin off da história Imperdoável, também do escritor Waid, que segue a transformação do super-herói Plutoniano em um vilão. A série em quadrinhos foi lançada no Brasil pela editora Devir

Sendo um quadrinho que representa a evolução de um personagem vilão tendo seus desafios para tentar se tornar um novo herói, o que chama a atenção é o universo apresentado na história, questionamentos e os personagens secundários que acabam rodeando a jornada de Max

Incorruptível x Imperdoável 

Não conseguimos analisar Incorruptível sem comentar sobre o quadrinho Imperdoável, focado no personagem Plutoniano que enlouquece e acaba virando um vilão após massacrar uma cidade toda. Por conta disto, temos a motivação do nosso protagonista em Incorruptível de virar um herói. 

No entanto, Incorruptível funciona umbilicalmente como uma história gêmea de Imperdoável, ou seja, ambas histórias conseguem trazer grandes relações, como comenta Thiago Ribeiro no site Quinta Capa (2020). Imperdoável também está em publicação pela editora Devir no Brasil. 

Análise do Enredo de Incorruptível

Mesmo seguindo uma trama menos reflexiva em comparação a HQ Imperdoável, ainda temos mensagens na história que fazem o leitor questionar as ações do protagonista. O leitor acompanha Max, que decide virar uma espécie de herói após ver Plutoniano enlouquecer. Assim, questionamentos sobre as decisões do personagem começam a surgir. Mesmo que Max busque agora fazer o certo, ele está disposto a pagar o preço por se tornar um novo herói? 

Incorruptível consegue ser uma história envolvente ao acompanharmos a jornada de Max e os contratempos que ele passa para tentar salvar a cidade de Coalville, lugar atacado por Plutoniano. A redenção do personagem é envolvente e intensa, com um tempo certo de construção, onde o personagem vai precisar passar por grandes problemas para provar que mudou. E é claro que não é uma situação fácil, ainda mais para um ex-vilão. 

Nos primeiros três volumes, além de Max, temos a apresentação de personagens que merecem ser citados como Ninfeta, a antiga parceira de Max, Alana, ex-mulher de Plotoniano, Annie, jovem que Max resgata e acaba se tornando sua parceira por alguns capítulos e Armadale, tenente do departamento de polícia de Coalville. Os personagens também são interessantes de acompanhar, onde os mesmos têm suas próprias motivações e problemas pessoais.   

Waid consegue também construir uma ambientação muito interessante sobre desconfiança entre super-heróis, desconstruindo um estereótipo de “herói”, em que os mesmos necessariamente não estão apenas para o bem da humanidade e acabam praticando algumas ações duvidosas por interesses próprios.  

Outro fator que merece destaque é o ataque virulento aos supremacistas brancos americanos que é demonstrado como os verdadeiros bandidos da história, conhecidos como Gangue dos Diamantes. A gangue entende a postura agressiva do Plutoniano como um motivo para eles perseguirem grupos étnicos. Podemos fazer uma ligação diretamente com declarações de cunho racistas que vivenciamos do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra negros e hispânicos, como cita Ticiano Osório no site GZH Livros (2019). Esses atos e discursos acabam motivando discursos de ódio e até massacres.

Sobre a arte, a HQ Incorruptível foi lançada pela primeira vez em 2009, contando nos primeiros volumes com a arte de Jean Diaz, Belardino Brabo e colorização por Andrew Dalhouse. Acompanhamos então uma arte com um traço bem habitual do gênero de histórias de super-herói, sendo sólida, detalhista e robusta.   

Mark Waid é um escritor norte-americano conhecido por seus trabalhos em séries como The Flash, Daredevil, Capitão América e entre outros. Assim, com as séries Plutoniano e Max Destrutor, o leitor possui uma boa oportunidade de acompanhar o que o escritor faz fora do eixo Marvel e DC.

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Sunny – A comovente jornada de vida. https://animesonlinebr.org/manga/sunny-a-comovente-jornada-de-vida/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=sunny-a-comovente-jornada-de-vida https://animesonlinebr.org/manga/sunny-a-comovente-jornada-de-vida/#respond Mon, 23 Nov 2020 15:02:34 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=15915 Sunny é um mangá escrito por Taiyo Matsumoto, um mangaká que tradicionalmente escrever obras que refletem sobre sua experiência de vida durante a

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Sunny é um mangá escrito por Taiyo Matsumoto, um mangaká que tradicionalmente escrever obras que refletem sobre sua experiência de vida durante a infância e adolescência. Quando jovem, sonhava em ser jogador de futebol mas decidiu seguir a carreira de mangaká. Dentre algumas de suas obras, estão: Straight (1989), Aoi Haru (1993), Ping Pong (1996), GoGo Monster (2000), Tekkon Kinkreet (2018) e Sunny (2020). Este último está sendo recém lançado no Brasil pela Editora Devir e será finalizado em até três volumes. 

Sunny é uma comovente jornada de vida que retrata sobre a infância, abandono, imaginação, família, realidade e amadurecimento. Irei falar mais sobre este incrível mangá ao longo de nossa leitura.

Taiyou Matsumoto - MyAnimeList.net

Mangaká Taiyo Matsumoto.

Sinopse

Sunny (2010) retrata sobre a dura realidade de um grupo de crianças órfãs que sofrem com insegurança, revoltas e com o sentimento de que foram abandonadas pelas suas próprias famílias.

Os personagens desta encantadora e comovente história sonham e usam de sua imaginação para fugir da realidade dentro de seu porto seguro enferrujado, velho e quebrado carro amarelo, ou sendo mais específica, um Nissan Sunny 1200.

Nissan | Heritage Collection | Datsun Sunny 1200 4-door Deluxe

Modelo Nissan Sunny 1200.

Através dos personagens,  acompanhamos o otimismo, a inocência e a camaradagem dos órfãos que vão contra a melancolia de suas vidas, refletindo a experiência do próprio autor que cresceu em casas de acolhimento.

Sunny Volume 1 | Amazon.com.br

Sunny – Vol. 1 (Editora Devir – 2020).

Análise do Volume 1 (sem spoilers)

História e desenvolvimento

Na sua infância tinha algum local onde você vivia o qual considerava um porto seguro? Um lugar em que pudesse chorar, se expressar ou até mesmo usar de sua imaginação para fugir um pouco da realidade? Em Sunny acompanhamos a vida de um grupo de crianças que utilizam um carro velho de cor mostarda como um refúgio para expressarem seus sentimentos, seja eles bons ou até mesmos aqueles sentimentos mais dolorosos. Os órfãos também utilizavam da imaginação para esquecer a dura realidade. Para elas, o carro é literalmente um veículo para que fujam da realidade, das suas dores e dos pesos.

Sunny de Taiyô Matsumoto - Bubble BD, Comics et Mangas

Este grupo de crianças órfãs moram em um abrigo chamado de Jardim Escola Hoshinoko (filhos das estrelas) e todos os dias elas esperam que seus pais voltem para buscá-las. Algumas já se conformaram com a situação de abandono enquanto outras mantém a fé e contam os dias para rever aos seus pais com alegria. Já outras crianças tem sentimentos mistos sobre poderem revê-los, como o Sei e o Haruo, que sofrem com a rejeição e com a solidão.

Cena do mangá de Sunny.

No abrigo chegam crianças de todos os tipos, idades e manias, porém o que as destaca são as suas individuais personalidades, em especial a de um certo garotinho de cabelo branco, boca suja, bastante inconformado, rebelde, inquieto, barulhento e que mesmo com tantos “defeitos” ainda assim é apenas uma criança tentando encobrir o seu lado ferido. Em um dos momentos, vemos Haruo falando em ter sido tratado como “lixo” pelos seus pais que o abandonaram.

Cena do mangá de Sunny.

Haruo é uma das criança principais da história a qual não apenas segue os demais “filhos das estrelas” do Jardim Escola, mas de certa forma também os adultos e os esforços que eles têm para tornar a vida destes pequenos um pouco menos um pouco menos dura. Os adultos que são responsáveis pelas essas crianças demonstram suas formas de amor e de atenção, apesar de ser dura a realidade. Eles realmente nos mostram sentirem preocupação e cuidado com cada um das crianças.

Adachi | Anime-Planet

Taiyo Matsumoto Makes Us Remember Childhood Pains in Sunny Volume 2 - PopOptiq

Cenas do mangá Sunny.

Aspectos Técnicos (gênero, roteiro, arte e tradução)

Taiyo Matsumoto e i fantasmi dell'infanzia | Ad un tratto | L'altro volto dell'illustrazione

A história do mangá contém humor, drama, amizade e reflexões sobre vida; além de abordar sobre a esperança, família, amadurecimento e sonhos que é apresentada pelo autor com belos traços, sendo um verdadeiro gênero “slice of life”. No início da história, sentimentos levemente desorientados quanto ao o que acontece na vida daqueles personagens ou contexto daquele momento. 

Matsumoto desejou começar a história nos fazendo “cair de paraquedas” na vida dos personagens daquele abrigo infantil e junto ao seu novo integrante irmos nos familiarizando com as histórias, os dramas e dia a dia de cada um dos membros que é uma grande família. A partir disso,  a leitura se torna muito mais proveitosa, mais envolvente, dinâmica e com um gosto de “quero mais” ao final dos capítulos, principalmente ao ser um certo garotinho sofrendo pela rejeição. 

Outro ponto positivo da obra é a seu roteiro e tradução que além de boa, ela consegue se destacar por um fluxo dinâmico e confortável de falas. Em alguns momentos de falas e expressões, podemos ter a impressão que houve também algum tipo de localização. (quando algumas falas ou expressões são adaptadas para o contexto da audiência para que ela possa entender com maior facilidade a obra ou interagir melhor com ela. Um bom exemplo disso é a dublagem brasileira de “Yu Yu Hakusho” no processo de algumas falas). 

Considerações Finais

O primeiro volume de Sunny teve um bom e comovente encerramento, abrindo uma nova percepção para o personagem principal que de início poderia ser um dos menos carismáticos. Porém, este garoto de cabelo branco termina se tornando aquele com mais camadas entre os demais presentes neste mesmo volume da obra. Aguardo com expectativas e ansiosamente pelos aos volumes seguintes e a que rumos a história irá tornar.

Sunny é um mangá para os jovens e adultos, que conta sobre a realidade de crianças que vivem em abrigos e aguardam ansiosamente pelas suas famílias. A obra realmente nos comove e nos envolve com o drama de cada um dos moradores do Jardim Hoshinoko. Além de nos mostrar que até aqueles mais rebeldes sofrem e sentem falta do carinho e atenção de alguém especial mesmo essa pessoa sendo ou não de sua família.

Recomento demais a leitura de Sunny e para quem ficou com vontade de conhecer mais sobre está incrível história de Matsumoto, podem acessar o link, abaixo:

Curiosidade:

O entendimento sobre o que é o Jardim Escola pode parecer confuso para nós leitores de início mas para quem não entendeu como funciona os abrigos e orfanatos japoneses, recomendo a leitura dos artigos abaixo:

  • Jido yogo shisetsu: a triste realidade da adoção no Japão: https://coisasdojapao.com/2018/01/jido-yogo-shisetsu-a-triste-realidade-da-adocao-no-japao/
  • Adoção de Crianças No Japão | Curiosidades do Japão: https://www.japaoemfoco.com/adocao-de-criancas-no-japao/

Espero que tenham gostado da leitura. Falei apenas sobre o primeiro volume de Sunny. Outros volumes ainda estão sendo lançados no Brasil pela Editora Devir e voltarei para falar sobre cada uma delas. Se cuidem e até breve.

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Uzumaki – Descendo a espiral da loucura. https://animesonlinebr.org/manga/uzumaki-descendo-a-espiral-da-loucura/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=uzumaki-descendo-a-espiral-da-loucura https://animesonlinebr.org/manga/uzumaki-descendo-a-espiral-da-loucura/#respond Mon, 16 Nov 2020 14:43:26 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=15744 Se você gosta de terror, que tal conhecer a obra Uzumaki? O mangá é uma das obras de horror criadas pelo mangaká Junji

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Se você gosta de terror, que tal conhecer a obra Uzumaki? O mangá é uma das obras de horror criadas pelo mangaká Junji Ito (伊藤潤二), nascido na cidade de Gifu no Japão em 1963. O autor é considerado o mestre do horror japonês por suas obras, nas quais utiliza ele elementos sobrenaturais e grotescos, como: horror, criaturas assustadoras e detalhes que podem chocar, até mesmo causar náuseas aos seus leitores. Dentre suas obras mais famosas estão Tomie e Uzumaki (Editora Devir). Este segundo, irei abordar nesta nossa leitura.

Um outro fator de destaque para as obras de Ito é a simplicidade da origem do terror e/ou horror em suas obras. Ele começa com um elemento simples e aparentemente inofensivo, como poderemos ver em Uzumaki, porém de pouco a pouco ele faz a escala de poder desse elemento ser elevada a pontos cada vez maiores e imprevisíveis sem deixar de esquecer dos elementos os quais ele antes usou como recurso.

Junji Ito – Wikipédia, a enciclopédia livre

Junji Ito (1963).

Sinopse

Em uma cidade chamada Kurôzu, coisas bizarras e misteriosas acontecem. Uma cidade em que o vento sopra em forma em curvas e redemoinhos. As fumaças também se enrolam em toma forma assustadores que parece ou lembram uma espiral. 

Nesta cidade, acompanhamos dois estudantes, a protagonista Kirie Goshima e seu namorado Shuichi Saito. Eles presenciam acontecimentos grotescos onde corpos se contorcem, cabelos se enrolam, artesanatos parecem ganhar vida própria, dentre outros fatos de início peculiares e que se revelam sobrenaturais. Shuichi é o primeiro a notar algo estranho na cidade e tenta convencer a Kirie, a sua namorada, a fugir da cidade junto a ele para não serem afetados pelo mal que ele sente que a cidade carrega em suas diversas formas, sinais e lugares. Uzumaki (1998) é um clássico mangá de terror, sendo considerado uma das principais obras do aclamado mestre do horror, Junji Ito.

Uzumaki | Amazon.com.br

Análise

O que dizer de uma espiral? Um elemento geométrico simples e plano que nada parece oferecer de risco. O que dizer do homem que a torna não apenas uma figura de terror mas uma verdadeira entidade que atiça o horror aos personagens da história a qual ele escreve e também ao leitor ao mesmo momento?

Em Uzumaki, obra de destaque de Junji Ito, temos esta experiência da maestria do autor com este recurso e tudo começa na história através do relato da protagonista contado sobre a sua jornada a qual logo em seu primeiro capítulo faz jus tanto ao peso do autor como mestre assim como ao título que foi dado a esta parte da obra (A Obsessão por Espirais).

Cenas do mangá “Uzumaki” de Junji Ito.

Se é possível definir Uzumaki em poucas palavras estas seriam criativo, grotesco e estranho, porém a obra se estende a explorar as múltiplas camadas do fenômeno, geometria, símbolo e entidade que é a espiral. Tudo é feito para que haja o mínimo de previsibilidade para o leitor. Além disso, ela rompe os limites de clichês presentes em outras produções culturais e inclusive em um de seus capítulos desconstruindo um clichê romântico.

Não vemos o terror e horror ser manifestado de uma única forma, dominar e agir e sim vemos a obsessão contaminar e gradativamente consumir/erodir de forma igual a mente ou corpo das vítimas da espiral contando cada uma delas com as suas respectivas consequências e formas de se desejar consumir e entregar a espiral mesmo que em inconsciente porém todas com um fim em comum, seja ele a completa conversão de seus corpos a espiral ou entregues ao fim carregados pelas suas próprias obsessões.

Mesmo para aqueles não conquistados pelas tentações e obsessões da espiral, esta tem a sua própria forma de os contaminar os convertendo a sua própria forma e os diferenciando de seus adeptos.

A espiral pode não ser uma criatura, porém ela é viva, ela é ciente, possessiva e é cruel. Ela é um verdadeiro ciclo vivo assim como são as estações. Entretanto, ela é feita e também é provedora de caos, desespero, loucura, desejo e mais. Ela não é um deus, todavia ela dobra a realidade ao seu favor e gosto. Ela praticamente é uma prisão, a qual por possíveis interpretações poderia também ser considerada uma forma de inferno onde se pode entrar mas não pode sair, que faz o ser mais abismal preso nos homens se manifestar e através dos seus desejos e objetivos como entidade fazer deles o próprio mal que tanto temem ou sequer imaginam os outros homens. Ela brinca com o tempo e manipula as pessoas a se entregarem a ela por mal ou por bem dando a aqueles que a almejam a impressão do quão bela, artística e libertadora ela é.

Cenas do mangá “Uzumaki”, de Junji Ito.

Um fato peculiar sobre as pessoas da cidade onde a história se passa é a alienação ou normalização/ visão de comum que elas têm de tantas “peculiaridades” que ocorrem na cidade diariamente e ou nela existem há tempos. Elas vão desde “fenômenos naturais” bizarros como ventos formando pequenos tornados frequentemente, um lago que “engole” as coisas, rios com formação de redemoinhos em seu fluxo e um mar que se comporta de forma estranha e tem um tom escuro, além de construções bizarras como um farol negro e casas abandonadas de séculos atrás.

Em suma, se há alguma maneira à partir da qual seja possível a espiral estar presente na vida das pessoas para mais fácil consumi-las, ela usará ou guiará as pessoas para que em seus diversos níveis de consciência estejam contidos e sejam engolidos pela grande e atrativa força que é a espiral.

Observação

Nem todos os capítulos, por efeito de cronologia, são obrigatórios porém eles somam a leitura por fazer o leitor entender as múltiplas visões de abordagem do horror pelo autor e como elas tem solução além de entender as múltiplas faces do caos, obsessão, loucura e perda da humanidade e identidade dos personagens aos quais inicialmente pensávamos conhecer.

Considerações Finais

Uzumaki é uma leitura recomendada para os fãs de horror e/ou terror psicológico porém é uma leitura que pode exigir um pouco daqueles que estão começando a se aventurar pelas obras deste gênero. 

O mangá pode ser lido por inteiro em apenas um dia e o seu final que fecha bem a história. Através da finalização podemos levantar mais de uma teoria sobre a espiral e o destino ou as decisões tomadas pelos dos personagens ao longo dos volumes.

A obra, como dito, tem múltiplas camadas e, se você se esforçar pode até encontrar alguma referência ou outra colocada propositalmente ou talvez não pelo autor, mas elas não são obrigatórias a percepção do leitor para dar sentido a história ou para se ter proveito dela. Elas servem mais  para como elemento de discussão e reflexão pós-leitura tornando assim a experiência com a obra mais longeva.

Se essa obra te interessou e você deseja apoiar o trabalho do autor e conhecê-la a fundo, a Editora Devir é a responsável no Brasil pela sua publicação desta obra. Vou deixar o link aqui para vocês darem uma olhada no catálogo do autor pelo site da editora: 

Aqui e aqui.

É isso pessoal. Se cuidem e cuidado com as espirais. 

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