bong joon-ho - Animes Online BR https://animesonlinebr.org viage com a gente no Animes Online BR Thu, 21 Oct 2021 20:12:57 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.7.2 https://mundodosanimes.com/wp-content/uploads/2022/08/cropped-14c6bcf3-be6c-4046-ae51-74e8880e70ba-scaled-1-32x32.jpeg bong joon-ho - Animes Online BR https://animesonlinebr.org 32 32 Memórias de Um Assassino e a história que chocou a Coreia https://animesonlinebr.org/cinema/memorias-de-um-assassino-e-a-historia-que-chocou-a-coreia/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=memorias-de-um-assassino-e-a-historia-que-chocou-a-coreia https://animesonlinebr.org/cinema/memorias-de-um-assassino-e-a-historia-que-chocou-a-coreia/#respond Thu, 29 Jul 2021 19:00:01 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=21568 Algum tempo atrás uma história que chocou a Coreia voltou à tona com a confissão e as recentes discussões dos crimes de um serial

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Algum tempo atrás uma história que chocou a Coreia voltou à tona com a confissão e as recentes discussões dos crimes de um serial killer muito conhecido por lá. Esse artigo fala sobre o filme Memórias de Um Assassino, baseado nessa terrível história real. 

O Contexto desse Filme

Os casos de Hwaseong ficaram tão presentes na memória dos sul coreanos que várias obras televisivas e cinematográficas abordaram o assunto. Ou seja, é aí que entra Memórias de Um Assassino. O filme é um drama policial de 2003, com direção de Bong Joon Ho (Mesmo diretor de Parasita) e que utilizou dessa história em seu enredo.

Esse artigo tem referência direta com crimes de assassinato e abuso sexual. Então, se você não curte obras baseadas em fatos ou assuntos fortes como esses, tudo bem não continuar.

Memórias de Um Assassino
© Memories of Murder

Encontrar filmes coreanos que são guiados por histórias reais, como Silenced, The Chaser e A Taxi Driver, é bem comum e muitas costumam ser boas. Porém, o que reacendeu a curiosidade sobre essa história foi o recente avanço da polícia em conseguir solucionar crimes tão horríveis – anos após o filme ter sido lançado e muito mais tempo desde que os crimes ocorreram. Memórias de Um Assassino conta uma história que transmite uma sensação de angústia.

Entendendo o cenário

Na época que os casos de Hwaseong ocorreram, a Coreia do Sul estava passando por um período conturbado. Pouco antes dos assassinatos, havia acontecido um golpe de estado, múltiplas revoltas e até mesmo uma tentativa de reaproximação de famílias que estavam na Coreia do Norte.

© Cena do filme A Taxi Driver

Nos anos 80, a população não estava na mesma página que seus governantes. Em maio de 1980 foi declarada a Lei Marcial, que resultou no Massacre de Gwangju – tema do filme A Taxi Driver (O Motorista de Taxi). Já em 1985, talvez para tentar diminuir a pressão popular, governos da Coreia do Sul e do Norte promoveram visitas entre famílias separadas por esses territórios. Também vale pontuar que um ano após ao primeiro caso de assassinato em Hwaseong, a Coreia do Sul presenciou um forte movimento democrático conhecido como 6월 민주항쟁 (Movimento de Democracia de Junho ou June Struggle). Em resumo, foi um período de muita coisa acontecendo.

Você pode ler mais sobre o Massacre de Gwangju e o Movimento Democrático Coreano nesse texto da Revista Koreain.

A história real dos casos

A história original de Memórias de Um Assassino ocorreu no período de 1986 a 1991. Nessa época, mulheres de 13 a 71 anos foram abusadas sexualmente e assassinadas nos arredores da área rural da província de Gyeonggi.

O assassino e estuprador de Hwaseong foi encontrado em 2019 por meio de correspondência de DNA analisado. Ele já estava preso por ter cometido outro crime e infelizmente não será julgado pelos crimes que começaram em 1986 por já estarem prescritos. Somente em novembro de 2020, o assassino admitiu publicamente ter matado 14 vítimas e que estava surpreso pela demora das investigações.

© Memories of Murder

Ok, mas por que trouxe todos esses fatos?

Pelo filme, temos a impressão de uma polícia sucateada, ao menos em relação à polícia da região. Vemos o início da investigação de uma maneira muito desorganizada e com o foco distorcido. Apesar dessa interpretação do filme, diz-se que foi nessa época que ocorreu uma das maiores mobilizações policiais do país. Os esforços fizeram com que mais de 20 mil pessoas fossem investigadas e tivessem impressões digitais analisadas.

Com 20 anos sem solução, o que restou foram especulações misturadas com indignação e curiosidade. Nesse sentido surgiu o filme, tanto quanto outras obras sobre o assunto.

A base de Memories of Murder

Memories of Murder (Memórias de Um Assassino) tem fortes inspirações de uma peça teatral de 1996 que também traz uma visão sobre os crimes ocorridos em Hwaseong. Entretanto, as influências de outras obras não param por aí: é possível encontrar vários comentários sobre Bong Joon Ho levando em consideração From Hell de Alan Moore.

Essa obra é repleta de humor ácido que provém da troca de cenas, comentários sarcásticos e outros pequenos detalhes. Mas também trabalha o forte retrato de uma sociedade rural que passava por momentos intensos como os descritos no cenário anteriormente. Em especial, destaco também a participação em plano de fundo e a falta de segurança das mulheres. Sendo assim, a trama compara a seriedade de uma investigação criminal com momentos de descaso.

© Memories of Murder

A polícia obviamente tem um grande espaço no filme. Ao longo dos acontecimentos, podemos acompanhar o trabalho de investigação, a brutalidade e a indignação em dissonância. Desde de o começo conturbado e bagunçado até possíveis ideias para encontrar o culpado, a história entrelaça com o oficial e o extraoficial. É como se estivéssemos lá participando da resolução dos casos.

Como é uma obra fictícia, as cenas e personagens podem ser inventados mas é um fato que houve exageros e pontas soltas. Inclusive, vários aspectos do filme batem com a vida real, como acusações falsas que foram esclarecidas depois (Alguns jornais contam sobre pedidos de retratação pelos erros passados da polícia, como neste link – em inglês)

© Memories of Murder

Concluindo

Este é um filme para se ter uma noção de como o cenário na época era, com várias cenas explícitas e um tom bem pesado. Apesar de ser uma obra fictícia e, portanto, ter a interpretação dos autores bem presente, ele vem com um panorama interessante sobre os casos e como afetaram os policiais encarregados. Além disso, é um ponto de partida para comparar com os passos tomados na realidade. Ao mesmo modo, também é uma forma de trazer questionamentos de o que é real e o que foi perdido.

Sinceramente, eu me senti bem incomodada assistindo a esse filme pela atmosfera toda que ele traz e por sempre parecer estar caçando o vento. Assim, parece que é a história de um bando de policiais tentando dar um fim aos crimes para mostrarem eficiência e sem apoio. Com violência e o deboche presentes em quase todos os momentos do filme, Bong Joon Ho mostra sua maneira sórdida de crítica.

E aí, você gosta das obras do Bong Joon Ho?

Informações presentes nesse artigo podem ser encontradas em sites como Korean Herald, New York Times, The Guardian, CNN, Naver e Rotten Tomatoes.

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Parasita: Por que o filme mereceu o Oscar https://animesonlinebr.org/curiosidades/parasita-por-que-o-filme-mereceu-o-oscar/?utm_source=rss&utm_medium=rss&utm_campaign=parasita-por-que-o-filme-mereceu-o-oscar https://animesonlinebr.org/curiosidades/parasita-por-que-o-filme-mereceu-o-oscar/#respond Thu, 04 Jun 2020 15:00:39 +0000 https://www.nsvmundogeek.com.br/?p=8347 Em Parasita, toda a família de Kim Ki-taek está desempregada e vive em um porão sujo e apertado. A situação deles muda quando

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Em Parasita, toda a família de Kim Ki-taek está desempregada e vive em um porão sujo e apertado. A situação deles muda quando Ki-woo, o filho, tem a oportunidade de dar aulas de inglês para uma garota de família rica. Deslumbrados com o luxo no qual os Park vivem, o resto da família Kim decide se infiltrar na casa deles.

Dirigido por Bong Joon-ho, Parasita foi o grande vencedor do Oscar desse ano (fazendo história sendo o primeiro filme não falado em inglês a levar o Oscar de Melhor Filme), além de arrebatar prêmios em diversos festivais. Há muitos motivos pelos quais isso aconteceu. O filme fala sobre a divisão de classes de uma forma que transcende a barreira da linguagem. Bong Joon-ho usa brilhantemente um roteiro que surpreende, uma fotografia inteligente e uma direção certeira, trazendo atuações muito coerentes de todo o elenco.

©Barunson E&A Corp

Uma coisa interessante de se notar em Parasita é a importância que símbolos tem para a história. Como exemplo disso, temos a pedra que é dada de presente para a família Kim por Min, um garoto que está na faculdade e é amigo de Ki-woo. Min está ascendendo socialmente, e a pedra se torna um símbolo da possibilidade de Ki-woo fazer o mesmo.

A pedra é, como diz Ki-woo, “metafórica”. Ela significa a riqueza e é simbólico o fato de ela aparecer várias vezes no filme, em pontos cruciais, estando fisicamente conectada ao garoto. É também através dela que Ki-woo começa a decair, quando ele é acertado na cabeça com ela ao final do filme. Mesmo que ela lhe trouxesse esperança, no fim ela também é algo que acaba com as suas chances de mudar de vida, quase matando-o no processo.

Outro símbolo bem utilizado é o cheiro. Ele é diretamente ligado à família Kim, como forma de degradá-los. Os Park diversas vezes demonstram desconforto ao sentirem o cheiro dos Kim e é até notado pelo filho menor dos Park, Da-Song, que eles possuem o mesmo cheiro, quase desmascarando os Kim. O cheiro é ligado à pobreza e acentua a diferença entre as famílias. Enquanto os Park tem luxo, os Kim vivem em um local sujo.

Além desses símbolos, a fotografia também utiliza o espaço muito bem. Parasita é muito vertical, ou seja, a câmera se movimenta várias vezes para cima e para baixo. O filme já começa com a câmera movendo-se para baixo, mostrando aonde a família pobre vive.

Enquanto isso, a casa dos Park fica no topo de uma rua, com uma vista linda para a natureza. Uma cena que deixa ainda mais explícita a diferença de classes é quando há uma tempestade que alaga toda a casa dos Kim, deixando-os desabrigados. Já para os Park, isso não é um problema. Quando o bunker aonde o marido da ex-governanta da casa dos Park se esconde é descoberto, é mais uma forma de a fotografia dizer metaforicamente, usando o espaço, que ele está abaixo da família Park.

O homem até mesmo vê o Senhor Park com uma certa adoração, pois ele indiretamente dá a ele um lugar para morar. A luz e a escuridão são usadas da mesma forma, enquanto a casa da família Park é bem iluminada, a casa dos Kim e o bunker são escuros e sem vida. As lâmpadas da casa também iluminam o caminho que o Senhor Park faz ao chegar em casa e, mais tarde, é descoberto que quem faz com que as luzes se acendam é o próprio homem que vive no bunker.

©Barunson E&A Corp

A movimentação e a posição dos personagens em cada cena também é muito bem pensada e é aí que a direção de Bong Joon-ho se destaca. Nada é por acaso, e cada ação é pensada previamente, direcionando o olhar de quem assiste. O elenco todo está em completa sincronia, tanto em cada uma das famílias, como entre si, destacando também a ex-governanta da casa dos Park e seu marido, que interpreta muito bem uma pessoa que ficou louca pelo isolamento.

O roteiro é surpreendente. A partir da metade do filme, é como se um outro filme começasse. Há um ponto de virada, quando a ex-governanta dos Park aparece na porta da casa, enquanto os Kim aproveitam o luxo. O próprio Bong Joon-ho disse que é como se Parasita fosse dois filmes em um. A primeira parte acaba quando todos da família Kim conseguiram infiltrar a casa dos Park e a segunda parte começa justamente quando o bunker é descoberto, assim como o esquema dos Kim. Essas descobertas pegam o público de surpresa e é como se fosse impossível de prever para onde o filme irá ir ou como ele acabará.

Após o massacre que acontece na festa na casa dos Park, pode parecer que o diretor já fez tudo o que poderia com o filme, mas não, mais uma vez o público é pego de surpresa e o final também surpreende. Bong Joon-ho nos faz acreditar que a família Kim irá se reencontrar e Ki-taek poderá sair de seu esconderijo no bunker. O que não é a verdade, e o filme termina como começou, com o movimento de câmera para baixo, mostrando Ki-woo em sua casa novamente, agora sem seu pai e sua irmã. O que o público achava que seria uma grande mudança de vida para o garoto e sua família, não passa de um simples sonho que ele conta em sua carta para o pai. Com isso, Parasita continua na mente do espectador muito tempo após terminar e é provavelmente uma das melhores críticas sociais já feita nos cinemas.

 

 

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